sábado, 23 de agosto de 2014

Citação 009 [Escreva]

"Estou pedindo que escrevam cartas, que incluam acontecimentos, coisas que tenham percebido, como a mudança das estações afeta vocês ou o cheiro das flores. Imaginem morar na Índia com um macaco. Expressem a alegria de beber uma simples limonada em um dia quente. Finjam ser estranhos em sua própria casa, onde acabaram de notar uma rachadura no teto. Seria uma passagem para um cômodo oculto? Escrevam cartas para alguém que vocês viram em um restaurante. Talvez uma pessoa famosa, viva ou morta. Ou talvez para seus personagens favoritos de um livro ou filme! Perguntem coisas sobre a vida deles, as escolhas que fizeram... Sejam curiosos e libertem a sua mente de abreviações."

(Professor Wistler, Claros Sinais de Loucura, p. 34, Karem Harrington)


__________

Não consegui evitar de da um pulo aqui madrugada a dentro e registrar as palavras do Professor Wistler. Também escrevo, amo escrever, gosto do que escrevo e  faço minhas as palavras dele.

"Claros sinais de loucura" da Karen Harrington, tem uma pegada de literatura infantil terna, delicada, sensível. A protagonista é a Sarah Nelson, menina de 12 anos com um passado delicado. Ela escreve diários, gosta de ler, de procurar o significado das palavras no dicionário e ocasionalmente criar seus próprios significados para as palavras, enquanto procura em si mesma sinais de loucura.

Me identifico muito com ela, aos 12 anos também costumava procurar em mim sinais de loucura. Hoje procuro sinais de sanidade, mas continuo escrevendo diários, gostando de ler, de procurar palavras no dicionário e criar meus próprios sentidos para elas.

domingo, 17 de agosto de 2014

"As crônicas do Gelo e Fogo" ou "Livros com cara de Inverno" [Desafio Calendário Literário]

Seguindo firme e forte pelo caminho do "Desafio Calendário Literário" proposto pelo blog "Aceita um Leite?", Julho foi o mês no qual a lei seria ler um livro no qual o Inverno ocupasse um lugar central. Seguindo firme e forte pelo caminho do relaxamento só agora, no meio de Agosto, eu consegui reunir forças para falar a respeito da minha leitura de de Julho, a saber os volumes 4 e 5 da celebrada e sangrenta série de George R. R. Martin "As crônicas do Gelo e Fogo".


Venho lendo essa série desde 2002, o volume 1 e 2 foram um sopro, uma leitura rápida e agitada durante a qual muitas paixões foram despertadas por meio mundo de personagens. Como  não amar os Starks de Winterfell, Tyrion Lannister, Jon Snow, Daenerys Targaryen e todos os outros? Martin conta sua história de maneira a enfatizar as forças quantos as fragilidades dos personagens, deixando um e outro entrarem e saírem de destaque, mostrando e escondendo o que há por trás dos atos de cada um deles tornando muito difícil para o leitor não se envolver afetivamente com um e com outro. Mas, com o avanço da história, pouco a pouco a parte épica das crônicas vai se perdendo em um oceano de sangue, dor, agonia e mortes horrendas.


Terminar de ler "A tormenta das espadas", vol. 3 da série, foi um tormento enorme e quase desistir do livro. Mas, quando a chuva começou a cair em Recife... Bem, sei lá. Em Recife não existe inverno, aqui é a "Terra do Sempre Verão", um lugar onde no máximo chove e o suave resfriar produzido pela chuva é chamado de frio... e em meio a esse falso inverno o barulho da chuva pareceu me fazer um convite a voltar a esse mundo no qual o Inverno pode ser, e comumente é, fatal.

Foi uma decisão acertada!

A leitura do "O festim dos corvos" se mostrou agradável, o Martim já se tornou um companheiro de caminhada cuja voz e o estilo eu conheço e tenho afeição, adquirir uma quase confiança na capacidade do velho sanguento de me oferecer uma boa história. Amo a forma como ele faz as ideias de Maquiavel, Rousseau e companhia dançarem diante de meus olhos. Gosto também de como ele trabalha com a ciência "História". Como ele prende seus personagem dentro de um limite de veracidade, mesmo quando dialoga com algo como magia, afinal nunca foi consenso que magia, milagres, deuses não existem. E quero casar e ter filhos com Martin quando ele fala sobre a escravidão, o quanto ela é lucrativa, o quanto é complicado abolir a escravidão e o quanto é absurdo esse regime de trabalho do ponto de vista humano.


As pessoas esquecem, ou fingem esquecer, mas o Brasil é um país cujas bases econômicas-sociais-politicas mais antigas foram construídos através da escravidão. O comercio sangrento fez a fortuna de muitos homens e mulheres dos dois lados do Atlântico. A Princesa Izabel perdeu sua coroa quando cedeu aos altos clamores, muito altos mesmo, da população pela Abolição. E nós ainda não nos livramos da escoria que fomentou e se alimentou desse regime de trabalho. Senadores, deputados, ricos proprietários em sua maioria são herdeiros de proprietários, comerciantes e traficantes de escravos. Passaram-se pouco mais de cem anos depois daquele 13 de outubro de 1888 e ainda temos muitos "Sábios Mestres Yunkaitas" a vencer em disputas politicas.

Amei muito e mais ainda ouvir a Dany dizer:
"Escravidão não é o mesmo que chuva. Já tomei chuva, e já fui vendida. Não é o mesmo. Nenhum homem quer ser propriedade de alguém." (George R. R. Martin, A dança dos dragões, p. 243).
Obviamente não posso negar o quanto esse malvado é prolixo. Alguns autores escrevem de forma a não deixar nem uma pobre virgula sobrando, Martin deixa o alfabeto latino, árabe, japonês e chines inteiros junto com todo os sistemas de pontuação já inventados sobrando, se espremer todas as palavras que ele deixa sobrar de cada livro da para escrever mais dois. Bem, eu sei, sou a ultima pessoa que devia criticar isso no mundo, em meus posts reina a prolixidade, mas quem resiste a uma dose de veneno?!?!? hsuausah

Eu tenho vontade de comentar a respeito dos eventos de "O festim dos Corvos" e da "A Dança dos Dragões", mas eu não sou uma mega blogueira que escreve para milhares de pessoas no mundo, metade das pessoas que leem meu blog ignoram lindamente a obra de Martin a outra acompanha apenas a série da HBO "Games of the thrones" e seria pura sacanagem dar spoilers, então vou ficando por aqui.

Só faço questão de registrar aqui meu amor por Jon Snow, Tyrion e Jayme Lannister, Daenerys Targaryen, Missandei, Brienne de Tarth, Asha Greyjoy, Verme Cinzento (#AmoEsseUm), Sor Barristan Selmy, por Dorne, pelas "Serpentes de Areia" e todo "Povo Livre".
___________

Esse post faz parte do "Desafio Calendário Literário",
proposto pelo blog "Aceita um leite?".

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Citação 008 [Irmãos]

"Irmãos são capazes de fazer aflorar a criança de 8 anos que vive em nós." (Julia Quinn, "Os segredos de Colin Bridgerton)
________

A Julia Quinn é uma autora cujas histórias eu não consigo deixar de ler com um sorriso nos lábios do inicio ao fim. Eu me divirto "muito e mais ainda" lendo seus textos, especialmente quando ela me faz lembrar de situações do meu cotidiano.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Centro Cultural Correios – Recife [Desafio 12 Lugares #6]

Se eu fosse uma blogueira mais disciplinada, hoje deveria ser o dia no qual se falaria sobre o lugar número 7 do "Desafio 12 Lugares", proposto pela Lu Tazinazzo do blog "Aceita um leite?"Mas como eu sou como eu sou¹ vou falar sobre o lugar número 6, a saber: "O Centro Cultural Correios - Recife", localizado na Av. Marquês de Olinda, 262, centro antigo da cidade, uma área tombada pelo IPHAN, considerada Zona Especial de Proteção Histórica desde 1997.


O centro funciona em um prédio é uma construção do início do século passado e foi adquirido pelo ainda "Departamento de Correios e Telégrafos – DCT" em 1921 e tornou-se sedo dos Correios em Pernambuco. Como muitas coisas no Brasil foi vitima de um bom período de deterioração de uma reforma superfatura [uma micharia de 5 milhões], mas em julho de 2009 foi devolvido a população com direito salas de exposição, auditório, restaurante (bistrô), agencia postal e uma históricas permanentemente aberta a visitação gratuita.



O lugar por mim visitado foi justamente a "Sala Histórica", nela estão guardados todos os tipos de objetos antigos relacionado a história das comunicações no Brasil, consistindo assim em um prato cheio para mim, uma historiadora de profissão.


Como estava com tempo e sem ninguém para me apressar, passei uma boa parte da minha tarde explorando com paciência e calma a sala inteira e seus objetos. Os historiadores cujo objeto de estudo é a cultura material, costumam dizer: "o homem faz o objeto e o objeto faz o homem".


Os objetos preservados nessa sala falam de uma época na qual as coisas eram feitas mais lentamente e a vida não corria como corre hoje. Não que não houvesse pressa, mas é que não havia a possibilidade de se comunicar com os extremos do mundo com a velocidade que temos hoje, era preciso ter paciência para esperar as cartas chegarem através de profissionais que não usariam avião ou carras velozes.







Os objetos também falam da ânsia constante do ser humano em diminuir suas esperas consolidado na figura do telefone e outros aparelhos.



O telefone, assim como o computador não reduz distancias, mas nos possibilitam a divina dadiva da comunicação, o que não é pouco definitivamente. Ah, bom notar também o quanto esses aparelhos são sólidos, falando de um tempo quase pré-industrial no Brasil no qual objetos como esses eram feitos de forma quase artesanal. 





Observando a solidez desses aparelhos, que parecem ter saído de obras steampunk², [obviamente é o contrario, eles inspiram os autores desse gênero] penso nessa época na qual não se produzia ferozmente produtos descartáveis. Eu entendo os autores de steampunk, é fabuloso pensar em tempo no qual os objetos eram feitos para atravessar gerações e havia tanta esperança na ciência e sua potencialidade para criar coisas capazes de melhorar nossa qualidade de vida.

A segunda metade do século XIX e o inicio do século XX foi uma época de muitas expectativas e esperanças. Basta olhar para a ficção cientifica da época. Os olhos sensíveis dos escritores desse gênero anteviam grandes descobertas e a possibilidade da melhora da qualidade de vida de uma parcela significativa das pessoas do mundo, o ideal positivista estava no auge, havia fé na potencialidade da humanidade evoluir para o mais e o melhor.

Nossa época não costuma produzir muitas coisas capazes de durar até a próxima geração, talvez seja mesmo verdade a máxima "o homem faz o objeto e o objeto faz o homem". Nós costumamos nos perguntar se haverá uma próxima geração, então para que produzir coisas solidas? Há guerras, pragas, fome e crianças morrendo gritando no momento no qual escrevo esse texto e possivelmente no momento no qual alguém o ler... Quem não olha para suas crianças e sente medo atire a primeira pedra! Talvez não haja nem humanos no planeta daqui a 100 anos, não há mesmo sentido em produzir coisas duradouras.

E como o pessimismo tomou conta de mim, eu vou me  jogar nele com fé. Sempre que visito o passado anterior a década de 1930 através dos vestígios por ele legado a nós eu vejo por toda parte tanta esperança, tanta fé em qualquer coisa chamada humanidade e então me recordo de duas guerras mundiais, uma bomba atômica, o rastro de doença, fome e peste deixados pelos europeus durante da descolonização da África e da Ásia e as catástrofes do presente me sinto em uma pavorosa distopia.
_________
¹ Essa expressão foi tirada de um post da Lu Tazinazzo

²A Sybilla responde muito bem a pergunta "O que é steampunk?"

Essa foi a minha participação no Desafio 12 Lugares do blog "Aceita um leite?"



domingo, 20 de julho de 2014

Terry Pratchett, meu autor favorito [Desafio Calendário Literário]

O tema de junho do "Desafio Calendário Literário" do "Aceita um leite?" foi um livro de seu autor favorito, eu estou atrasadinha com as postagens, mas hoje é o dia. Vamos lá!

Quem me conhece sabe, tirando Fernando Pessoa, não tenho um autor favorito, eu tenho vários autores e autoras favoritos(as). Cada época da minha vida foi povoada por um autor ou autora favorito e atualmente, ou melhor, nos ultimo 8 anos, Terry Pratchett tem ocupado esse posto com uma convicção e garra nunca antes visto na história desse país.


Há quem pense que meu autor favorito é o Gaiman ou a Jane Austen. De fato eu gosto muito do Gaiman, ele é mistico, lirico, romântico, poético, mas nadica de nada de irônico, sarcástico e dado a trolagens. A Jane Austen é minha autora favorita, ela é perfeita, mas decidi falar do Pratchett, pois apesar de ter muito dele fragmentado por esse blog, nem de longe falei tanto dele quanto falo de Janezinha do meu coração e preciso fazer justiça ao meu amor por ele.

Sir Terence David John Pratchett, é um escritor inglês, mais conhecido pelos seus livros da série Discworld, cujas histórias se passam em um mundo parecido com um disco, localizado em cima de quatro elefantes que por sua vez ficam em cima de uma gigantesca tartaruga a "Grande Atuin".


Discworld é o paraíso para todo o tipo de sátira possível e imaginaria ao mundo real. Começou como uma sátira a histórias de jovens magos super-poderosos e promissores, depois virou uma tiração de onda genial com praticamente tudo que existe. Quem curte "O guia do mochileiro das galaxias" corre o risco de descobrir um paraíso nos livros de Terry Pratchett, porque a avacalhação aqui jamais tem fim.

O livro da série escolhido para ser lido no desafio foi "A cor da Magia", o vol. 1 da Série. Nele começamos a conhecer o Mundo do Disco através da "cidade formada pela orgulhosa Ankh e pela pestilenta Morpork, da qual todas as outras cidades no tempo e no espaço são mero reflexo" e nenhuma outra cidade do mundo da fantasia vai lembrar tanto as cidades reais.

"Os poetas a muito desistiram de tentar descrever a cidade. Os mais espertos disfarçam. Dizem que... bem... talvez ela seja malcheirosa, talvez ela seja superpovoada, talvez ela seja um pouco como o Inferno seria se controlassem o fogo que queima por lá e formassem um curral cheio de vacas com problemas intestinais durante um ano. Mas é preciso admitir que ela é cheia de vida pura, dinâmica e vibrante. E é verdade, apesar de serem os poetas quem dizem isso. E as pessoas que não são poetas dizem: e daí? Os colchões também tendem a ser cheios de vida, mais ninguém escreve odes a eles. Os cidadãos odeiam morar lá e, se são obrigados a mudar para outra cidade por causa do trabalho, por aventura ou, o que é mais comum, para esperar que algum astatuto de limitações expire, não vem a hora de voltar para que possam sentir um pouco mais do prazer de odiar viver lá. Eles colocam adesivos na parte de trás da carroça dizendo: "Ankh-Morpork - Odeia-a ou deixe-a"... (...) Ela sobreviveu a enchentes, incêndios, multidões, revoluções e dragões." (Terry Pratchett, A magia de Holy Wood, p. 12-13)

Ankh-Morpork são separadas/unidas por um rio cuja água é "incrivelmente pura... qualquer água que tivesse passado por tantos rins tinha que ser, de fato, muito pura." .

Qualquer semelhança com Recife é mera... genialidade!

O personagem principal da história é o Mago Rincewind. Ele não é jovem, não sabe nenhum feitiço, aliás foi expulso da Universidade Invisível na qual os magos são formados por ter mexido em um feitiço perigoso. Ou seja, o Rince é um mago covarde, velho e fracassado, além de um pouquinho amoral cujo único talento é ser fluente em várias línguas e se meter em encrenca com uma facilidade horrorosa. #TeamRicewind



A confusão história começa quando o Rinc. encontra com o Duasflor, o primeiro turista a aparecer no Disco vindo de outro mundo. Duasflor é uma criatura totalmente inocente e rica perdida no meio de uma cidade pestilenta, na qual até os ratos sentem cheiro do ouro e correm para ele e vai meter o mago fracassado nas mais loucas e ilarias aventuras.

Eu sou apaixonada "Mundo do Disco", viciada no humor, na forma como o Pratchett dobra a nossa realidade e nos faz ri com ela, como é realista em suas analises e vai direto no ponto. Como o Gaiman ele tem lá seu romantismo, lirismo, roubo descarado do universo do Shakespeare e derivados, mas soma a isso sarcasmo, acidez e é uma delícia. Infelizmente, não faz no Brasil tanto sucesso quanto Gaiman, é ruim achar livros dele, eu tenho alguns, o Kobo me ajuda com tantos outros digitalizados na base do "de fã para fã".


Ah, o Pratchett é amigo do Gaiman e escreveram juntos o divertido e incomodo "Belas Maldições", só indicado para pessoas não-cristãs ou cristãs capazes de ri e ter senso critico com suas próprias crenças. O humor acido do Pratchett e sua visão avacalhada dos deuses sobrepõe-se a visão do Gaiman, um pouquinho mais leve e romântica da coisa toda chamada fé. Segundo Pratchett "uma chave para compreender todas as religiões é que a ideia de diversão para um deus é jogar “Cobras e Escadas” com os degraus oleados." (Terry Pratchett).

Voltando ao Discworld, depois de "A cor da Magia" vieram muitos outros livros, o Disco foi pouco a pouco povoado com vários personagens. Bruxas, pequenos homens [gnomos], heróis, ladrões, Bobos da Corte e por ai vai. De todos os personagens o meu preferido é a Vovó Esmeralda Cera do Tempo, produtora de um dos meus lemas de vida:
"As estrelas não estão nem aí pro que você deseja, a magia não torna as coisas melhores e ninguém deixa de se queimar quando põe a mão no fogo. Se você quiser chegar a algum lugar... tem que aprender três coisas. O que é real, o que não é real e qual a diferença." (Quando as Bruxas Viajam, Vovó Cera do Tempo, p. 145)

Esse post faz parte do desafio:


_________________

P.S.: No finado Orkut, uma das coisas mais legais eram as comunidades voltadas para os fãs do Terry nas quais a gente podia postar nossas frases preferidas do Disco. Eu já pensei mil vezes em abrir um post só para as frases memoráveis de Terry Pratchett, mas fui protelando, então vou aproveitar esse post e deixar algumas frases aqui. A pretensão é ir aumentando a lista gradualmente a medida que eu for relendo os textos, então essa parte do post é tipo leia por sua conta e risco, pode não ser tão interessante.

"se você confiar em si mesma... 
– Sim? –...e acreditar nos seus sonhos... 
– Sim? – ...e seguir a sua estrela... [...] 
– Sim? –...ainda assim vai ser derrotada por pessoas que gastaram o tempo delas dando duro, aprendendo coisas e que não foram tão preguiçosas." (Os pequenos homens livres, Terry Pratchett)

"...cê e sempre como aquela pessoa na festa segurando a bebidinha num canto que num consegue se enturmar. Tem uma pequena partezinha dentro de você que num quer derreter e derramar." (Os pequenos homens livres, Terry Pratchett)

"As pessoas pensam que dão forma às histórias. Na verdade, é o contrário. As histórias existem apesar de seus participantes. Se você sabe disso, esse conhecimento é poder. Histórias, grandes fitas vibrantes de espaço-tempo modelado, agitam-se e desenrolam-se pelo universo desde o início dos tempos. E evoluíram. As mais fracas morreram e as mais fortes sobreviveram, engordando a cada vez que eram recontadas..."(Quando as Bruxas Viajam, Terry Pratchett)

"E assim porque as pessoas são dominadas pela Dúvida. Esse é o motor que as impulsiona ao longo da vida. É o elástico na hélice do aviãozinho de plástico da sua alma, e passam o tempo enrolando-o até dar um nó. " (Quando as bruxas viajam, Terry Pratchett)

"Ela odiava todas as coisas que predestinassem as pessoas, que as fizessem de bobas, que as tornassem pouco menos que humanas." (Quando as Bruxas Viajam, Terry Pratchet).

"A realidade não e digital, algo que se liga e se desliga, mas analógica. Gradual. Em outras palavras, a realidade é uma qualidade que as coisas possuem, da mesma forma como possuem, digamos, peso. Algumas pessoas são mais reais que outras, por exemplo. estima-se que existam apenas cerca de 500 pessoas reais em cada planeta, motivo pelo qual elas vivem se encontrando inesperadamente o tempo todo." (A magia de Holy Wood, Terry Pratchett)

"... com a quantidade certa de cebolas fritas e mostarda, as pessoas comiam qualquer coisa." (A magia de Holy Wood, Terry Pratchett)

"Guarda sempre tinha o cuidado de não intervir muito cedo numa briga, antes de as vantagens ficarem solidamente do seu lado. O emprego oferecia pensão e atraia esse tipo de homem cauteloso e prevenido." (A cor da Magia, Terry Pratchett)

"Pitoresco significava - concluiu ele depois de uma profunda observação dos cenários que inspiravam Duasflor a se valer do termo - que a paisagem era terrivelmente íngreme. Exótico quando usada para descrever os ocasionais vilarejos por que passavam, queria dizer assolado por doenças e caindo aos pedaços. Duasflor era um turista.. Turista, concluiu Rincewind, queria dizer idiota." (A cor da magia, Terry Pratchett)

"O que os heróis mais gostam é deles mesmos." (Terry Pratchett).

terça-feira, 15 de julho de 2014

Citação 007 [Sou voadora mesmo]


"Reconheço que não gosto da realidade, que jamais gostei. Acatei como pude quando já não havia mais jeito de esquivar-me de suas leis, mas o texto dessas leis - que além do mais, são tantos - não entra na minha cabeça. Mal o retenho com um alinhavo precário, e de uma hora para outra o esqueço. Vou de sobressalto, desfazendo os nós confusos que atrapalham a tarefa, e sempre fico em dúvida se os desfiz direito." (Carmen Martin Gaite, Nebulosidade Variável, p. 105)
Fonte da Imagem:
Supercalifragilisticexpialidocious, Pockets Comix #142

sábado, 12 de julho de 2014

Citação 006 [A Lua]


"A Lua é uma companheira correta. Ela nunca se vai. Ela sempre está lá, observando, constante, reconhecendo-nos em nossos momentos de luz e escuridão, em constante transformação, assim como todos nós. Todos os dias uma versão diferente dela mesma. Às vezes fraca e livida, noutras forte e cheia de luz. A Lua compreende o significado de ser humano." [Tahereh Mafi_Estilhaça-me]
__________________________

Hoje sai um pouco mais cedo do trabalho, ainda era dia, ou melhor entardecia em Recife. Eu não resistir e cliquei. Meu celular não é dos melhores, mesmo que fosse a câmera não consegue nunca captar a perfeição dos momentos, mas fica uma lembrança do instante de encantamento.


Posteriormente, enquanto fazia o trajeto da Zona Norte do Recife para o Bairro do Recife eu me senti novamente impelida a produzir mais uma lembrança do brilho da Lua na noite de hoje... e uma vez em casa como não roubar as palavras da Tahereh Mafi?!?!

Essa lua perfeitamente redonda, brilhante, tomando conta do céu de uma cidade litorânea convida ao romance, ao delírio, qualquer coisa de fora do comum... Bem, na falta desses temperos todos, confesso que me conformei com sorvete e livros, quem não tem cão caça com gato néh?!?!?

domingo, 6 de julho de 2014

Sugestões - TAG

A Mari B. do "Devaneios e Desvarios" me indicou a tag "Sugestões" e eu resolvi embarcar na brincadeira. Ela consiste em realizar algumas missões, a saber:
1. Mostrar qual o blog que te indicou.
2. Sugerir um filme, uma comida, uma música, uma série e um livro.
3. Sugerir duas outras coisas do item 2.
4. Indicar 10 blogs para essa tag.
Preciso dizer que não sou muito de sugerir coisas as pessoas, afinal meus gostos são "bizarramente contraditórios", mas vou fazer o meu melhor.

FILME: "Crash"


Em Crash são retratados os dramas do cotidiano paranoico das grandes cidades do mundo. Eu me reconheço nos conflitos e pesares dos personagens desse filme. Na vida real, não existe heróis e vilões, todos são humanos e isso é violento, brutal, lirico, dramático, desalentador... Quando eu estou no meu limite escuto minha mãe dizendo: "Jaci, todo mundo tem uma história!",  "Crash", para mim, é como uma mãe gritando para o mundo: "Acordem, todos vocês possuem uma história!" e repentinamente me ocorre que talvez nós poderíamos, se quiséssemos, para de viver certos ciclos, deixar de acordar para o mesmo dia para o qual tínhamos dormido.

COMIDA: Banana Frita


A melhor coisa para se comer de manhã ou a noite, para mim, é um belo prato com três bananas fritas na manteiga com açúcar por cima e devidamente acompanhadas de uma xícara de café fumegante! É simples, é gostoso, é delicioso, é a minha cara.


MÚSICA: "20 anos blues"

Para explicar porque indico essa música uso as palavras da própria Elis no programa Ensaio da TV Cultura de 1973: "Essa música é da Sueli Costa, a letra é do Vitor Martins. Eu gosto dessa música porque tem muito haver comigo as coisas da letra, eu também tenho mais de vinte muros, também tenho mais de vinte anos, aliás quase trinta. É aquilo ali, aquilo ali é muito parecido comigo."



SÉRIE: Todas as inspiradas na obra de Jane Austen!


São românticas, sem serem muito melosas, bem ambientadas no século XIX, possuem personagens femininas marcantes, são lindas, possuem uma trilha sonora cativante e eu posso, para desespero da minha família, rever qualquer uma delas mais 10, 20, 30 vezes.

LIVRO: "Jantar no restaurante da saudade" de Anne Tyler


Essa foi a sugestão mais difícil, são tantos livros, escolher um parece uma missão impossível. Especialmente um sobre o qual eu ainda não tenha comentado por aqui. Li "Jantar no restaurante da saudade" pela primeira vez em 2005, é um susto constatar que faz quase dez anos, parece ter sido ontem. Ao falar sobre seus personagens e escolhas Anne Tyler tem a incrível capacidade de me fazer pensar sobre minha vida e a de meus semelhantes. Ela me leva a olhar para o outro e me reconhecer nele. Ninguém é herói ou vilão, todos somos apenas frágeis seres humanos, o que não nos impede de cometer incríveis enganos ou sermos vitimas de terríveis crueldades.
__________

3. Sugerir duas outras coisas do item 2: Minhas sugestões são: "Um lugar" e "Uma imagem marcante".
___________

4. Indicar 10 blogs para essa tag: Quem achar interessante pegar sinta-se a vontade. E caso alguém resolva responder a tag me avisa para que eu possa linkar aqui e ir lá conferir.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Choque de realidade: sobre ser professor/professora.

Pessoas que escolhem a profissão docente de certa forma são como "os escravos cardíacos das estrelas" do poema "Tabacaria" de Fernando Pessoa:
"Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."
Hoje meu semestre acabou, deixei as cadernetas preenchidas na escola, esvaziei meu arremedo de armário, peguei os itens mais queridos desse primeiro semestre de 2014.


Segui para minha rotina na educação infantil, cheguei em casa no inicio da noite, terminei de assistir o jogo "Bélgica X Estados Unidos" com meu pai e finalmente abrir o computador.... Foi quando fui esbofeteada por um choque de realidade em forma de matéria. Descobrir que um professor de história foi confundido com um ladrão, foi espancado, escapou de ser assassinado e ainda está respondendo a processo.

Cá está o link da matéria para quem quiser entender melhor a situação: "Professor ‘dá uma aula’ de Revolução Francesa para não ser linchado".

Uma vez eu disse a Suelem, minha estagiaria da educação infantil, em meio a uma crise de frustração docente, que pessoas capazes de escolher essa profissão mereciam levar uma pisa. Como ela não é de meias palavras, respondeu na lata:
"Mas vocês levam! Você leva uma surra todo dia Jaci!".
Ela chamou isso de "choque de realidade".

Nunca pensei que daria tanta razão a ela. Me sinto surrada agora, usando as palavras de meu irmão:
"Todos são inocentes ate que se prove o contrário. Mas isso só vale se você tiver muita grana ou for político corrupto. Pobre, preto, prostituta, professor e homossexual são culpados até que se prove a inocência, isso depois de muita humilhação." (José Rafael Jr.)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Top 10 Livros do Primeiro Semestre de 2014

Nos seis primeiros meses de 2014 consegui o feito de ter lido o dobro da quantidade de livros de 2013. Então, imitando descaradamente o Luciano do .Livro, resolvi fazer uma lista dos meu "Top 10 dos Livros Mais Marcantes Livros de 2014.1". Esse vai ser um post longo.


"Nebulosidade Variável" de Carmem Martin Gaite - 372 páginas - Companhia das Letras

Esse livro é daqueles inesquecíveis, ele me fez companhia ao longo dos dois últimos anos. Nele Carmem Martin Gaite nos apresenta um romance epistolar no qual se conta a história de duas amigas de infância (Sofia e Mariana) cuja vida separou durante anos e tratou de unir novamente. Através da escrita de suas cartas Sofia e Mariana repensam suas vidas e encontram coragem para tomar novos rumos, ajeitar a vida e nos convidam a fazer o mesmo. Uma hora eu me identificava com Sofia em outra com Mariana e atualmente está difícil devolver o livro a Vaneza. Quando fui fazer a imagem para colocar no post juntei tudo o que o livro representa para mim, coisas do presente, do passado distante ou recente e projetos para o futuro, lembranças doces e amargas, sonhos realizados, não realizados e por realizar. Vou levar essa história comigo para sempre.


"A menina do fim da rua" de Laird Koenig - 193 páginas - Círculo do Livro

Esse com certeza é um dos livros mais sintéticos, limpos, bem escrito e coeso que já li. Incrível como Laird Koenig consegue escrever sem deixar nem mesmo um pronome sobrar. Denso sem ser pesado, nele se conta a história de Rynn, uma menina de 13 anos, leitora voraz, independente, auto-suficiente e cheia de mistérios. Junto com o garoto Mario, um magico, vamos descobrir o que ocorre no primeiro ano do resto da vida dela.








"Sushi" de Marian Keyes - 574 páginas - Bertrand Brasil.

Como o gênero "chick it" convida a supor, esse é um livo leve. A Marian Keyes é despretensiosa em sua escrita, divertida, prolixa até não mais poder. Mas, brincando e nos fazendo ri, ela acaba discutindo vários dilemas práticos femininos do século XXI, ela faz algo muito parecido com o que Jane Austen fez no inicio do século XIX. Devia ser legalmente proibidos aos homens lerem Marian Keyes. Me identifiquei até não mais poder com a Ashling e estou louca para reler "Sushi". Mi, obrigada obrigada obrigada, três vezes, porque 3 é um número magico para mim, por trazer a Marian para a minha vida.






"O Oceano no Fim do Caminho" de Neil Gaiman - 208 páginas - Intrínseca

Há quem diga que esse livro é uma fábula, o Rafael Castro garante ser ele um conto de terror, alguém pode dizer que é uma história fantástica, mas eu digo: o livro é um fio, uma ponte. Ao contar a história de como um garoto viveu uma experiencia fantástica conhecendo os limites da vida e da morte Gaiman teceu um fio através do qual qualquer pessoa de boa vontade pode ser levado até as suas memórias de infância. Não foi sem choque que percebi o quanto me identifico com o garoto da história.

Mais sobre esse livro em: Sobre "O oceano no fim do caminho" [Desafio Calendário Literário"]



"Ex-Libris" de Anne Fadiman - 162 páginas - Jorge Zahar 


Se você viveu aventuras com os livros, ama os livros, tem histórias sobre livros a contar, se permita conhecer as histórias da Anne Fadiman, você vai ri muito, arregalar os olhos, se enternecer bastante. E, se for uma leitora voraz do tipo romântica, vai sentir uma inveja danada da mulher, afinal ela conseguiu alguém disposto a juntar seus livros aos dela para compor uma biblioteca fantástica. Se você já encontrou alguém para juntar os livros dele aos seus então você vai sentir uma grande empatia com ela... #IndicoDemais

"Turma da Mônica: Laços" de Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi - 84 páginas - Panini.

Esse foi um dos mais lindos Grafic Novel que já li. Impressionante como os irmãos Vitor e Lu Cafaggi conseguiram capitar a essência da "Turma da Mônica" e escrever uma história cheia de ternura, carinho, lirismo e bons sentimentos. Em "Laços" eles contam a história de como o cachorro do Cebolinha some de casa e toda a turma se junta para ir atrás dele. Na história está em destaque as principais características de cada personagem da turma, a saber: a capacidade criativa do Cebolinha para criar personagens e planos infalíveis, o temperamento explosivo da Mônica, o jeito tranquilo e precavido (especialmente em relação a comida) da Magali e a forma como o Cascão consegue reaproveita/reciclar qualquer coisa. É um orgulho ver um trabalho assim escrito em língua portuguesa.

Mais sobre esse livro em: " Resenha 082 - Turma da Mônica: Laços"

"Os Pequenos Perpétuos" de Jill Thompson - 52 páginas - Brain Store.

Esse livro foi presente do Rafael, uma memória material de nosso encontro. Nele Jill Thompson resgada os personagens clássicos do quadrinho "The Sandman" de Neil Gaiman e constrói uma história super fofa na qual a protagonista é a Delírio, a mais nova dos irmãos Perpétuos, e o seu cachorro Barnabas. Pense em um texto delicioso e encantador. Pensou? Pois é, esse é o que a Jill escreveu aqui. Indico muito, a crianças de todas as idades.

Ah, em tempo, "Os Perpétuos" são Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio, eles sintetizam os principais aspectos da vida, existem desde a aurora dos tempos e moldam a realidade em todos os mundos.



"Sailor Moon #1" de Naoko Takeuchi - 240 páginas - JBC.

Quando finalmente abri e li o tão aguardado volume 1 da "Sailor Moon", mal consegui conter a emoção, faltou pouco para chorar. Foi um tipo de presente da mulher que sou a menina que fui. Bastou ver o Tuxedo Mask e a Usagi para sentir uma onda de amor e ternura invadindo meus olhos, coração e alma. Foi como voltar no tempo e ser novamente uma garota. Eu amava o Tuxedo, Endymion, Mamoru, Endymion... E sei lá o nome dele, só sei que olhando assim acho que ainda amo.

Tem coisas da infância que nos acompanham para sempre! Que bom!



"Jogos Vorazes" de Suzanne Collins - 397 páginas - Rocco - Jovens Leitores.


"Jogos Vorazes" é classificado como infanto-juvenil e certamente a Suzanne Collins construiu um texto com linguagem simples e definitivamente seus personagens são adolescentes. Porém a forma como ela abordou questões de sobrevivência, relações humanas e a influencia da mídia na sociedade do espetáculo na qual vivemos cruzando tudo com uma trama de ficção cientifica elevou o seu texto a qualquer coisa que exige comprometimento e atenção levando o leitor a um grande nível de envolvimento afetivo. Sua leitura me deixou com uma ressaca literária monstro e eu digo sem medo de ser feliz esse é um livro épico da introdução a conclusão!


"Quando Tudo Volta" John Corey Whaley - 224 páginas - Novo Conceito.

John Corey é um autor de escrita fácil, fluida, ele escreve como se estivesse conversando com você. Nesse livro ele conta a história de algumas pessoas que viveram um verão muito estranho na cidade de Little no interior do Estados Unidos. Litter é o tipo de lugar tranquilo do qual os pós-adolescentes anseiam fugir, para qual os jovens costumam voltar e os velhos se conformam em se deixar ficar. Mas em um verão desses se levanta a hipótese de que um animal extinto reapareceu na cidade e tudo muda por lá. Uma agitação percorre o ar. Mas, o que movimenta a trama da vida cotidiana de Cullen Witter, o protagonista dessa história, seu melhor amigo Lucas e sua família não é o aparecimento desse animal e sim o sumiço de seu irmão caçula.

"Quando tudo volta" é uma leitura que convida a desacelerar, a pensar. a ponderar.... Os seus personagens são tão humanos em seus limites, virtudes e fraquezas que nos cativam. Foi fácil me senti a amiga de Cullen, Lucas, Mena e até da Ada. Deixá-los após a 220ª página entregues a continuidade de suas vidas chegou a ser doloroso, esse é o tipo de livro cujos personagens permanecem comigo muito tempo depois do fim da leitura, talvez até para sempre.

Mais sobre esse livro em: "Resenha do livro " Quando Tudo Volta " de John Corey Whaley"

Bem, essa foi minha lista, nem acredito que já se foi o primeiro semestre de 2014, como disse Cazuza, "o tempo não para" e você que passa por aqui, qual foram os melhores livros lidos esse ano?