"Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecoas da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo." [Clarice Lispector na crônica "A SURPRESA")
Nunca fui muito amiga dos espelhos, os que tenho em casa ou ganhei ou veio com um móvel ou com a própria casa quando aluguei, mas nos últimos três anos muitas vezes me peguei nessa experiência de vê minha imagem refletida, pensar "então essa sou eu" e fotografar porque em nosso tempo o registo de imagens é quase involuntário. Até hoje pela manhã não sabia nomear a motivação desses registros... agora sei, não é narcisismo, é alegria de ser, é a sensação descrita pela Sylvia Plath em "A redoma de vidro" quando disse: "Respirei fundo e ouvi a batida presunçosa do meu coração. Eu existo eu existo eu existo." (Sylvia Plath).