terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Falando um pouco mais sobre Bullying!


Não é a primeira vez que me aventuro a falar sobre esse assunto, houve há algum tempo atrás uma postagem coletiva puxada pelo Mãe é tudo igual que se propunha a falar sobre bullying dizendo "Chega de Bullyind". Nessa ocasião o assunto foi bem tratado, bem debatido, mas não esgotado.

Podemos falar e falar sobre esse tema e ainda teremos muito o que dizer, pq  bullying, fala de coisas que estão extremamente costuradas em nosso cotidiano, acontecem corriqueiramente e por mais que se fale a respeito ainda precisamos falar mais para que de uma vez por todas possamos entender que não é normal xingar, maltratar e violentar uma pessoa por qualquer motivo que seja, onde se incluir cor, tamanho, condição financeira etc...

E já que a  Elaine do  "Um pouco de mim" me convidou, através desse selo que está ai em cima, a uma vez mais tratar desse assunto aqui vou eu novamente.

A começar falando que a questão do Bullying na escola passa pela questão dos problemas que a nossa sociedade enfrenta diariamente, é como a Jussara do Palavras Vagabundas escreveu quando falava sobre o livro "Bolofofos e finifinos de Fernando Sabino": 

"Hoje, cada vez mais, o mundo se torna intolerante e preconceituoso e isso sem medida, vale tudo. Violência contra mulher, gays, negros, gordos e porque não vesgos, gagos e só escolher a categoria. Aí saímos nós a criar campanhas contra bulling, contra a violência, dia de conscientização negra, parada de orgulho gay, dia da mulher, dia de paz no trânsito e tantas outras. Isso é necessário?  Lógico que sim..." 

Penso muito de acordo com o que a Jussara disse ao falar sobre o livro do Fernando Sabino, o mundo realmente é um lugar cada vez mais intorelarante é incrível como se olhar-mos ao nosso redor vamos vêr todo tipo de preconceito imprimindo sua marca no nosso dia-a-dia. É como se estivessemos na foz do rio da História e todos os preconceitos e tabus construídos nos últimos séculos caíssem sobre nós dolorosamente.

Rapazes são espancados e humilhados na rua em plena luz do dia apenas por serem homossexuais, mulheres sofrem violência domestica a cada minuto em nome da honra masculina, pessoas que não tem o perfil magro são motivos de chacota, homens e mulheres são tratados mal apenas pela cor de sua pele e isso acontece tão corriqueiramente que há quem ache normal que as coisas sejam assim. Bem, em uma sociedade que se move assim não é surpreendente que a experiência escolar seja marcada por situações de violência simbólica e, como disse um amigo meu outro dia, seja quase sempre traumática.

Lembro que quando participei da blogagem coletiva proposta pela Vanessa vi um comentário onde ela dizia que as pessoas que participaram colocaram na sua fala muito de sua experiência, lembro também que fme impressionei com a quantidade de pessoas que passaram por  situações violêntas na escola, violências dos mais diversos tipos e que deixam marcas dolorosas.

Seria assustador se não fosse tão coerente com a realidade na qual estamos imersos... A escola é um espelho da realidade social, é um espelho do que acontece em casa, do que vemos na televisão, do que vivemos diariamente. Ela é um espelho onde a sociedade vê seu rosto, ou seja, é um lugar chocante para se estar, aquela escola modelo Malhação/Múltipla Escolha não existe, a escola real é marcada por agitação, caos, agonia e muitas situações difíceis de administrar tanto em escolas públicas quanto em escolas privadas.

Os equilíbrios e desequilíbrios de nosso tempo estão impressos nos bancos escolares, no corpo de nossos alunos e nas atitudes deles para com eles mesmos e para com os professores. E sim, nós, professores, também somos vitimas de bullying, é como a Vaneza com Z (acho tão chic esse nome assim) do Balzaquiana com z comentou por aqui: 

"... é difícil o dia a dia... muito difícil... se você me perguntar se eu sofri bullying na infância ou adolescencia eu vou dizer que sofri... mas nunca sofri tanto enquanto adulta e já educadora. Todo o dia tenho que lidar com isso... com alunos que formam turmas para criticar os professores... se juntam aos bandos... e falam da sua roupa, do seu modo de andar de tudo. Gritam com você... certa vez um levantou a voz pra mim e como se não bastasse se levantou e me desafiou. E eu te pergunto: cadê a lei que funcionário público não pode ser destratado no seu local de trabalho? Ela não funcionada com adolescentes? Pelo visto não."

Quantas e quantas vezes nós nos vemos obrigadas a agir com rudesa com nossos alunos, com nossos pais de alunos? Infinitas vezes... Educar não é uma tarefa fácil, também não é uma tarefa para uma pessoa ou instituição social só. Não é uma tarefa que a escola possa fazer sozinha, a família é responsável tanto quanto a escola pela educação dos pequenos e dos "não tão pequenos" e não pode negligênciar isso de forma alguma.

O comportamento de nossos jovens e adultos é moldada pelo conjunto de saberes que eles aprendem tanto na escola como em casa, na rua, na televisão, nos livros, na Internet e cabe aos pais administrarem isso com atenção sem negligenciar os pequenos detalhes, afinal a vida e a personalidade das pessoas são moldadas por detalhes e detalhes bem pequenininhos. Ser pai e mãe não é fácil, mas nada na vida realmente é fácil e tudo requer trabalho, observo que inúmeras vezes os pais negligenciam o trabalho de educar seus filhos, jogam a carga nas costas da escola, uns pq pagam outros pq pensam ser a escola o único lugar do mundo onde é possivel educar alguém.

Sei que desde o século XVIII que a educação escolar é vista como uma chave para resolver os problemas da sociedade e o conhecimento que a escola se propõe a oferecer as pessoas algo capaz de iluminar os caminhos e solucionar problemas dos mais diversos tipos. Mas, porém, no entanto, as coisas não são assim tão fácil e essa é uma crença ingênua, a escola sozinha nada pode e todos os indivíduos de uma sociedade precisam está comprometidos na árdua tarefa que é educar os mais jovens.

E sim, educar para o respeito a diversidade não é fácil para ninguém, nem para a família nem para a escola,  só que é um desafio cujo enfrentamento é necessário agora, já, para ontem. Quando família e escola estiverem comprometidos em fazer da educação para o respeito a diversidade em todos os sentidos um projeto de todos nós penso que talvez esse se torne um sonho que saia do reino do idílico e chegue se não ao reino das coisas que existem ao menos faça parte do reino das coisas possíveis ou em construção.

Penso que os preconceitos da mesma forma que são construídos historicamente podem ser desconstruidos, é uma questão de existir pessoas comprometidas com essa desconstrução, pessoas que queiram se importar, que não fiquem caladas quando estão diante de uma situação de violência simbólica, que corrijam os erros dos pequenos, que alinhem as árvores, que se ocupem em dar exemplos corretos,que passem do reino do sonhar para o reino do realizar.

E citando novamente a Jussara:

"... seria tão melhor que educássemos nossos filhos para aceitar e apreciar o diferente! Porque com certeza todos nós somos diferentes, eu sou baixa, alguém é alto, outro gordo, fulano magro, sicrano vesgo e o sujeito gago, guri de olhos azuis, meninas loiras , homem careca, mulher de olhos puxados...  esta é a beleza do gênero humano. " 

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Deixo o selo para quem desejar falar um pouco mais ou muito mais sobre o assunto e agradeço a Vaneza com Z e a Jussara por terem me sedido suas palavras para que eu as colocasse por aqui! E sim, eu acho que me entusiasmei um pouquinho e acho que fugir um pouco do assunto Bullying em si e acabei falando das causas do Bullying!

8 comentários:

  1. Pandora,
    Este problema é cada vez maior em todo o lado.
    Deixe-me dar-lhe os parabéns pelo excelente texto.

    Beijo :)

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  2. Sim o bullyng tem vários graus e formas de se manifestar e quem passa sabe bem o horror que é.

    Os professores sofrem realmente uma perseguição, atualmente isso é mais marcante, porque a educação ficou mais "liberal". As crianças dizem mais o que pensam e nem sempre isso é o mais adequando... Enfim... Qual é a fórmula? Não sei, não tenho filhos, não educo crianças nem adolescentes. Só me resta concordar com seu texto.

    Beijocas

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  3. AMIGA, DESCULPE NÃO COMENTAR O SEU POST, MAS PRECISO QUE VOCÊ DÊ A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA UM POST DO MEU BLOG.

    É MUUUUUUUUUUIIIIIIITO IMPORTANTE!

    http://serfelizeserlivre.blogspot.com/2010/12/2010-o-ano-dos-gays-o-ano-da-homofobia.html

    BJOXXXXXXXXXXXXXXX E OBRIGADO

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  4. OBRIGADO QUERIDA!

    A sua visita foi muito importante para mim e para o meu blog.

    bjoxxxxxxxxxx

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  5. E..., mesmo com tanta neve pelo caminho, fiz um cartao de natal para os amigos. Venha pegar o seu na Saia Justa.

    Abracos

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  6. Querida, estou tão lisongeada com sua menção do meu texto no seu, que não tenho nem o que falar e como agradecer. Acho que eu apontei somente um pouquinho do problema e você desenvolveu maravilhosamente bem, concordo com você, bullyng
    é intolerância e intolerância se aprende em casa e em falta de exemplos construtivos.
    beijos mil
    Jussara

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  7. Olá,bullying é um assunto mesmo muito sério e merece essa reflexão.Parabéns pelo nível de consciência e divulguemos esse artigo a fim de esclarecer mais e mais pessoas sobre o tema.
    Abraços da Itália,
    Bergilde

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  8. Bullying é muito complicado mas tem que tire de letra.

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Esse blog não representa um exercício de escrita, ele é um exercício de memória, de lembranças e esquecimentos. Funciona como uma caixa onde guardo coisas, sinta-se livre para comentar, mas saiba: comentários sem relação com o post serão excluídos por respeito a quem comenta de verdade.