domingo, 25 de julho de 2010

Apenas uma história que os camponeses contavam no século XVIII


Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe para onde se dirigia.

- Por que caminho você vai, o dos alginetes ou das agulhas?

- O das agulhas.

Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a Avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, volocando tudo numa travessa. Depois vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, á espera.

Pam, pan.

-Entre, querida.

-Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e de leite.

-Sirva-se também de alguma coisa, minha querida. Há carne e vinho na copa.

A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: "menina perdida! Comer a carne e beber o sangue de sua avó!"

Então o lobo disse:

-Tire a roupa e deite-se na cama comigo.

-Onde ponho meu avental?

-Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dele.

Para cada peça de roupa - corpete, saia, anágua e meias - a menina fazia a mesma pergunta. E, a cada vez, o lobo respondia:

- Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.

Quando a menina se deitou na cama, disse:

- Ah vovó! Como você é peluda!

-É para me manter mais aquecida, querida.

- Ah, vovó! Que ombros largos você tem!

- É para carregar melhor a lenha, querida.

- Ah, vovó! Que dentres grandes você tem!

- É para comer melhor você, querida.

E ela a devorou.
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Era mais ou menos assim que a história de Chapeuzinho Vermelho era contada em torno das lareiras, nas cabanas dos camponeses durante as longas noites de inverno, na França do século XVIII... Quando contei essa história a algumas estagiarias que trabalhavam comigo elas acharam que isso mais parece história de terror o que eu não posso deixar de concordar.

Ah, também não posso deixar de pontuar que duzentos anos fazem toda a diferença na forma que uma história é contada!
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Referencia Bibliografica:

DARNTON, Robert. O grande massacre de gatos, e outros episódios da história cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1986. p. 21, 22.

6 comentários:

  1. sou curiosa pra saber a verdadeira versão de Bambi... Interessante como eles colocavam as coisas "da vida" naquela epoca não?

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  2. Olá, querida, vim retribuir a visitinha e lhe desejar uma ótima semana!
    beijos

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  3. Quem diria...? Mas sabe, muitas destas historinhas que se conta para as crianças são muito macabras, não achas?

    Bjs.

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  4. Olá...
    Muito Bom seu Blog.
    Gostei muito..!!!
    Grande Abraço.

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  5. Eu já conhecia mais ou menos a história, só não sabia que ela ficava pelada! #medooo

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