domingo, 7 de junho de 2026

Longa pausa...

Não era bem meu plano, mas acabei passando muito tempo sem escrever nada nem aqui, nem em lugar algum. Tenho vivido uma época estranha, absolutamente desafiadora, literalmente desafiadora, da minha vida que não sei explicar direito. Mal consigo viver as experiências que a vida está me propondo, então narrar o que vivo, vejo, sinto e leio se tornou algo impossível.

Me sinto vivendo pela metade quando não escrevo, mas tenho tido dificuldade para escrever até as coisas complementares ao livro didático, atividades complementares e as avaliações dos meus estudantes o que se dirá das resenhas e derivativos no blog.

Sinto muito, especialmente por mim mesma. Sinto que se não consigo escrever é como se o ano passasse em branco ou como se as coisas sonhadas, planejadas, realizadas caíssem na evasão.

Vou tentar voltar a escrever, registrar as venturas e desventuras... as leituras, as aventuras... as curiosidades... a solidão e a companhia... essas coisas que parecem não ter lugar em lugar algum, mas a escrita consegue guardar de alguma forma.

Ao longo desses seis meses

Li muitoooos mangás, estou aproveitando as republicações das obras da CLAMP quase que em estado de delírio.

Completei 40 anos e me senti muito frustrada com minha mãe e minha irmã, mas minhas amigas me surpreenderam de tantas formas e com tanto carinho que fez a reação (ou a falta dela) da minha família nuclear se apequenar. Ainda estou digerindo essas coisas.

Sofri muito com o adoecimento do gato de estimação, Lion. Achei que ele ia morrer, mas ele ressurgiu das cinzas como uma fênix e agora é um paciente renal & diabético estável.

Passei a praticar exercícios físicos diariamente e as vezes fico exausta com isso. São caminhadas, musculação, jiu-jitsu.

Sim, faz dois meses que passei a praticar jiu-jitsu. Acredito que surtei e, em vez de simplesmente me descompensar de vez, aderir a uma arte marcial que me esgota fisicamente, me traz uma sensação de quase morte com alguma frequência... Sou literalmente finalizada e doí mesmo, mas basta dizer OSS que tudo para, respiro novamente, se o relógio não estiver zerado começa tudo de novo até o relógio zerar ou dizer OSS.

Como professora, nem sei como resumir esse primeiro bimestre... continuo lutando para ser a melhor professora de História que consigo ser, ter um olhar atento para cada um dos meus estudantes e cumprir minhas responsabilidades. As vezes me sinto dando aula como quem come uma comida que gosta muito, mas não consegue sentir o sabor.

A docência é uma atividade que salva muito a si mesma no meu coração, não é raro um estudante fazer uma coisa que faz meu coração pulsar de forma diferente, mas não estou mesmo no meu melhor momento como professora.

Minha vida não é ruim. Meu salário paga minhas contas, tenho um teto no qual me refugiar, trabalho com algo que escolhi, consigo até fazer atividade física e, ainda assim, tenho a impressão de ter algo fora do lugar em mim, não consigo identificar o que é e ao mesmo tempo tenho medo de descobrir e não conseguir lidar.

Vou tentar voltar a escrever sobre as coisas, não deixar 2026 parecer um ano que não aconteceu. Afinal é meu 40º ano de vida, é um marco. Não sou mais uma balzaquiana, agora estou além de qualquer coisa que imaginei experimentar na vida, nunca planejei algo para além dos 40 e agora cheguei aqui nessa Terra desconhecida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário