sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

História+bom humor+quadrinhos = Persépolis.

Meu primeiro volume
Eu comprei minha edição de Persépolis há uns três anos atrás, um pouco antes de ter saído o filme francês que tratava da mesma história e eu estava tão atolada de coisas para fazer que só agora depois da faxina de Dezembro quando eu reencontrei minhas duas edições, o volume 1 e volume que tem a história completa., que tive tempo de terminar de ler tudo, tanto que ainda estou entre encantada com a história e digerindo ela.

Persépolis é um trabalho lindo, com ele Marjane Satrape brincando de contar sua história, acaba contando  uma face da história do seu povo, dos Iranianos descendentes dos antigos e poderosos Persas. E sim, quando os artistas decidem contar episódios da história de seu povo é sempre bom a gente se segurar, pq costuma sai dessa experiência coisas muito boas.

Ela coloca a gente pra fazer uma viagem que começa quando os árabes invadem a Pérsia em 642 d. C. e derrubam a dinastia dos Sassânidas, passa pelo século XII e os mongóis, caminha pelas idas e vindas dos mundo muçulmano, chega nas Guerras do século XX e cai em 1980, um ano após a Revolução islâmica e enfim chega a garotinha fofa que ela era aos 10 anos de idade.

Então a gente conhece uma menina iraniana  "normal" que vive o inicio de uma revolução com toda as suas problematicas e é isso mesmo que ela mostra com seus traços vigorosos e seu bom humor, tanto que o primeiro "capitulo" diz respeito ao uso de véu, que em 1980 passou a ser obrigatória e como as crianças encaram isso de forma super descontraída na escola sem entender o porque daquela novidade, aliás, as questões referentes ao uso do véu vão ir e voltar nessa história todo o tempo e geram de boas piadas a boas reflexões.

No mais a família de Marjane não é uma família tão comum assim, eles eram, nas palavras de Marjane, até que modernos, possuem uma posição economica consideravelmente boa, então ela tem acesso a cultura e se percebe que na vida dela desde cedo fé, politica, economia e diferentes visões da História se misturam de um jeito tão louco que sonho de infância dela era ser profeta.

Ela pensava em ser a primeira Profeta mulher e ao mesmo tempo admirava os grandes heróis socialistas da década de 80 do século XX. Tipo, Che Guevara, Fidel e Trotsk, chegando até a achar semelhanças entre Deus e Marx. Aliás, é verdade que as representações comuns de Marx são muito parecidas com as representações clássicas de Deus como homem velho e barbudo.

E essa coisa de mostrar ângulos diferentes, pessoas diferentes e junções subjectivas meio estranhas como Marx e Deus dialogando e uma menina que quer ser profeta, mas admira Fidel Castro são coisa que me fizeram amar Persépolis de cara.

Logo de cara fiquei fascinada, achei que os quadrinhos eram um ótimo recurso didático, já que trata de história de uma forma descontraída e real, mostra o macro das grandes propaganda estatais e o micro das reações das pessoas a elas, as peculiaridades da cultura persa, a forma como as pessoas reagiam a revolução, ao menos as pessoas da classe média.
Satrapi se permite falar de tudo; da revolução que tirou  o Rei do poder; das subtilezas do regime islâmico que impôs depois dele; das mulheres e dos homens em seu cotidiano; das estratégias que as pessoas tinham para conseguirem ter mais liberdade; de quando sua família assustada com bombardeios e perseguições durante a longa guerra Irã x Iraque envia ela com 14 anos para a Áustria e o que aconteceu por lá; da sua depressão pós-guerra; da bagunça que fica quando 1 milhão de pessoas são mortas, tantas outras são mutiladas e família ficam destruídas no espaço de oito anos; da vida nas universidades; da vida familiar: namoro, casamento; das relação regime x população; do processo de alienação cultural; do que choca e do que emociona.
 
Enfim, eu sou suspeita para falar porque gostei muito desse trabalho e fiquei/estou com muita vontade de ver o filme e tudo o mais e foi porque tenho como tenho  o volume completo, acabei decidindo sortear o meu volume 1, entre as pessoas que se propuserem a participar da blogagem colectiva que a Aleska e eu decidimos fazer no dia 5 de Fevereiro.

Ah, ilustrei essa postagem com algumas passagens do livro que achei interessante e que mexendo aqui e acula até cabem bem em uma possível aula de história. E sim, é só clicar em cima que aumenta. Ah [2], engraçado, sempre acho biografia um gênero textual bastante chato, no entanto misturando Quadrinhos, franqueza, notas históricas e bom humor fica até legal!!!

13 comentários:

  1. Oi querida

    Que interessante esse livro.
    Esse é um que eu não pararia de ler enquanto não terminasse, voltando em muitos pontos.
    Adoro os que trazem a Hstória de um povo junto.
    Sensacional. Obrigada pela dica.

    Bjs no coração!

    Nilce

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  2. Olá,Pandora!Pra dizer a verdade nunca me interessei muito pelos quadrinhos,mas hoje tenho em casa um pequeno artista que já demonstra curiosidade e interesse por esta arte.Seu registro de leitura é bom porque mostra um lado dos quadrinhos mais completo e de conteúdo,que é melhor!
    Abraços,
    Bergilde

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  3. Uau, uma excelente obra para quem gosta de "viagens" literárias.
    grato pela dica.

    Bjs.

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  4. Jaci,
    não conhecia este livro, vou já atrás de um para mim.
    bjs
    Jussara

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  5. OI AMIGA
    CLARO!! PODE PEGAR O QUE PRECISAR LÁ NO BLOG
    BEIJOS

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  6. Li seu perfil,e sempre é mt bom encontrar pernambucanos neste mundo virtual.Muito prazer.Sensacional a aula de história,fiquei querendo ler o livro.Claro que vou seguir minha conterrânea.Bjs no coração.

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  7. Uma das modalidades de literatura que mais me incentivou a me tornar um leitor foi a dos quadrinhos. Sou um apaixonado até hoje, tanto por histórias infantis, como adultas. O Capital, por exemplo, de Marx, li pela primeira vez na adolescência em quadrinhos. Acho que se não tivesse sido dessa forma, eu nem teria me interessado pela obra completa. É muito bom. Gostaria de conhecer essa revista. abraços. Paz e bem.

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  8. Excelente dica minha amiga pandora.
    (...)

    bjos.

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  9. Pandora!!! Não conhecia Persépolis! Achei a idéia do livro como recurso didático ótima, principalmente para o ensino médio!

    Ótima dica!

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  10. Excelente o teu post...Difícil resistir a tentação de ler as tuas propostas.

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  11. Tbm não conhecia esse livro, mas estou muito interessado em conhecê-lo...bjoxxxxxxxxxxx minha linda!

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  12. Tenho o filme. Maravilhoso, divido momentos lindos proporcionados por ele e com minha filha e amores...
    abs

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  13. Menina, Depois de quase um ano, vi que você tinha uma postagem sobre Persépolis. Concordo com o seu sentimento: uma história fascinante, que prima pela narrativa sentimental, e que transporta-nos ao universo da mente de Marjane. Ainda não li o livro, mas o filme é muito massa!. Abraços!!

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Esse blog não representa um exercício de escrita, ele é um exercício de memória, de lembranças e esquecimentos. Funciona como uma caixa onde guardo coisas, sinta-se livre para comentar, mas saiba: comentários sem relação com o post serão excluídos por respeito a quem comenta de verdade.

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