segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sense8


Não sou uma pessoa muito afeita a assistir séries, fazer maratona vendo milhares de episódios por dia e coisas do gênero. Apesar de ter interesse em várias produções, raramente me pego vendo alguma coisa, hoje, até mesmo ver filmes é uma atividade rara para  mim. Quando alguém questiona o porquê de ter assinado um serviço como a Netflix geralmente eu respondo: tenho irmãos e enquanto eles vem coisas eu fico em paz para ler.

Apesar de minha atual aversão a séries e derivativos durante o feriado de Páscoa uma amiga comentou sobre Sense8 e, em um impulso de momento, decidi para e ir conferir a série. Em consequência desse impulso, fiquei encantada com a sensibilidade da produção, morri de amores pelos protagonistas e coadjuvantes, ainda estou sob os efeitos da história.


Sense8 conta o que ocorre com a vida de oito pessoas espalhadas pelos muitos cantos do mundo quando elas descobrem possuir uma conexão profunda entre si e são capazes de partilhar emoções, sentimentos, memórias, habilidades, consciência e até mesmo seus corpos uns com os outros. Na contramão do que o senso comum poderia supor, em vez de entrar em conflito um com o outro essas oito pessoas, apesar de serem diferentes mesmo, não tendem ao conflito, elas caminham para o entendimento e esse é um dos pontos altos da série.

A ligação entre os sense8 é uma ligação empática, todos partilham a mesma condição no mundo, apesar de diferenças de gênero, cor, sexualidade, profissão e credo pertencem a uma unica especie e procuram compreender, ajudar e proteger um ao outro em meio as mais diversas situações que surgem em suas vidas.


Há, é claro, toda uma trama com conspirações, segredos, perseguição e o perigo iminente de que alguém do grupo seja assassinado a qualquer momento. Porém esse não é fio que me prendeu a história e seus personagens. O que prende é o fato de ser um trabalho surpreendentemente sensível as sutilezas das relações humanas. O roteiro privilegia as contradições nas relações, os traumas, afetos, perdas e ganhos característicos da vida familiar, amorosa ou mesmo das relações entre amigos.

Os diálogos são incríveis, as considerações e histórias dos personagens são mostradas com uma sensibilidade capaz de desconstruir tabus corriqueiros, desmontar o senso comum e nos fazer olhar para o outro com mais ternura a ponto de perceber o quanto poderíamos ser próximos caso nos permitíssemos forjar com convivência uma ligação independente do quanto o outro é diferente da gente.

Fiquei encantada com a série, com o enredo, com os personagens, a trama e a trilha sonora que me abraçou durante os desfechos de cada arco narrativo ajudando a assentar os sentimentos fortes e conflitantes despertados pela história.


Nosso mundo nunca foi tão conectado, de muitas formas nos últimos 500 anos nossa especie na contramão de qualquer sonho de mundo de ficção cientifica investiu muito mais em comunicação do que em qualquer outra coisa e ainda assim nós nos desentendemos. Se a tecnologia nos conecta nossa falta de empatia com o outro nos separa em ondas intolerância religiosa, racismo, transfobia, homofobia, machismo e interesses econômicos postos acima de tudo e qualquer coisa.

Assistindo a série eu me pego pensando que entre os sense8 esses conflitos são dissolvidos pois como eles partilham tudo o que são entre si as incompreensões se diluem... Eles se escutam intimamente e de repente se percebem como partes diferentes de um organismo único, sendo oito se tornam um e vice versa muitas e muitas vezes ao longo dos episódios.

Me ocorreu muitas vezes enquanto via essa série que essa história estranha com ares de ficção cientifica oferece uma possibilidade complexa e ao mesmo tempo simples para a resolução daquilo que atormenta nossa especie: empatia, conexão, ouvi o outro. Olhando de perto somos semelhantes, olhando de perto o outro deixa de existir e se transforma em próximo.

7 comentários:

  1. Eu falo para você colar em mim que não vai se arrepender. Hahahaha... Pouco modesta né? Tô começando a ficar com medo de te indicar algo e tu não gostar.
    Agora falando sério... Estou revendo graças a sua empolgação e não pensei que seria possível,mas as histórias estão me tocando ainda mais profundamente.
    Impossível não se conectar com essas pessoas.

    Bora ficar ansiosas até a estreia da segunda temporada. Lembrando que espero há quase dois anos.

    Beijos!

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  2. Eu também ainda no fui mordida pelo bichinho das séries..., mas olha, vou confessar que essa tua indicação me provocou. Deve mesmo ser bem interessante essa ligação entre pessoas tão "distantes".
    Bom, mas primeiro preciso ter netflix (:

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  3. Oi Jaci! Gostei demais de sua indicação, muito interessante, já vou colocar em minha lista. Eu me rendi às séries, gosto das reflexões a que algumas remetem, outras são diversão mesmo, o que também é bom. A última que assisti foi Rita, série dinamarquesa, é sobre uma professora que nem sempre é politicamente correta e vive seus "conflitos" com 3 filhos, assuntos da escola, sexo, companheiros...Fica a sugestão.
    Abraço!

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  4. Olá, Pandora.
    Eu assisti assim que lançou e achei os primeiros episódios bem fracos. mas depois a coisa pegou e não consegui mais largar. E acho a série maravilhosa só tenho um pé atras com o monte de cenas de sexo, acho um pouco exagerado.

    Prefácio

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  5. A Nádia já tinha falado dessa série no blog dela. Cheguei a ver o primeiro episódio, mas não me senti tentada a continuar. Porém, se quebrou teu jejum de séries realmente deve ser interessante.

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  6. Oi, Pandora!
    Nossa, eu amo muito Sense8, acho que a série tem tudo pra cativar qualquer publico, apesar de ser confuso no inicio hehehe
    Adorei sua reflexão sobre ela! Ótimo post!
    Beijos!
    Borboletas de Papel | fanpage - twitter - instagram

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  7. Oi, Pandora.
    Tudo bem?
    Tenho muita vontade de ver essa série, mas ainda não tive tempo. Olha, vou te contar que eu não era de assistir séries, mas depois que comecei, não parei kkk. Mas não me considero a louca das séries, porque assisto geralmente poucas :)
    Gostei dos seus comentários sobre a série e acho que é isso mesmo. A solução é mais empatia :)
    Um beijão
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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