quinta-feira, 16 de março de 2017

Pequeno dialogo...


Hoje, sentada nos bancos de pedra do espaço próximo a piscina onde venho praticando natação, olhei para minha companheira de aula e disse:

"Sinto que a melhor parte da minha rotina atualmente é sentar aqui depois da aula nesse vento com essas árvores."

 Ela respondeu:

"É a melhor parte da minha também."


Só queria registrar isso mesmo...

quinta-feira, 9 de março de 2017

A copa das árvores: uma nota sobre gratidão


Estou apaixonada pela experiência de sentar em um banco de pedra, olhar para cima e observar a copa das árvores e o azul do céu além delas.

Quando o vento ou a briza passa e bate em mim, nas folhas, nos galhos e em tudo o mais sinto uma gratidão por tudo e por nada.


Nesses momentos sinto uma alegria tranquila por existir, uma sensação de equilíbrio no meio do meu desiquilíbrio cotidiano.

Estando assim, nesse animo sereno, um pé dentro e outro fora do devaneio, é muito fácil acreditar na probabilidade do milagre, da magia ou até evolução humana. Quem sabe o que raios esses ventos carregam ou quais segredos as árvores sussurram através de suas folhas?!?!?

domingo, 5 de março de 2017

Onde cantam os pássaros de Evie Wyld


Ler "Onde contam os pássaros" da Evie Wyld é experiencia inusitada tanto por não ser narrado de forma linear como por contar uma história cheia de violências sem apelar para o drama. As armas que a Wyld usa para conta a história de uma criadora de ovelhas mistérios foi o lirismo suave diluído em texto que mesmo não linear se mostrou de fácil compreensão.

Nele encontramos a história de Jake, uma criadora de ovelhas que mora sozinha em uma ilha com seu cachorro. Quando nós a encontramos pela primeira vez algo estranho está ocorrendo a seu rebanho, animais andam sendo vitimados por algo ou alguém e por isso ela precisa sair de sua toca em busca de algum tipo de ajuda e a partir daí acompanhamos seu cotidiano, a forma como ela lida (ou não) com sua vizinhança e as situações nas quais ela escolhe (ou não) se envolver.


Enquanto acompanhamos o desenrolar do problema presente de Jake descobrimos que ela é uma criatura arredia, desconfiada, amante da solidão, pouco afeita ao convívio social e cheia de segredos; uma criatura visivelmente desamparada. Para compreender o estado emocional e social presente de Jake é preciso viajar pelo seu passado e paralelamente a narrativa do presente da protagonista conhecemos também seu passado. Nos capítulos pares avançamos na busca de quem está maltratando as ovelhas e nos impares regredimos no tempo para descobrir o passado da protagonista e o que ele esconde.

Apesar da situação inusitada de hora está avançando no tempo e hora regredindo, a escrita de Evie Wyld é muito simples e leve, fácil de acompanhar e ler.  "O olho humano percebe movimentos antes de qualquer outra coisa", mas o coração precisa de um tempo a mais então muitas vezes a forma poética com a qual a autora conduziu a história me convidou a diminuir o ritmo de leitura para melhor aproveitar o texto e não rara foram as vezes nas quais precisei para e respirar para assimilar as situações nas quais a protagonista esteve envolvida.



A forma Evie Wyld contou a história da Jake me fez lembrar muito de "O Amante" da Margarite Duras"O papel de parede amarelo" da Charlotte Perkins Gilman e "O compromisso" da Herta Müller. Todos contam histórias de violência, enganos, escolhas equivocadas, magoas sempre fugindo da linearidade, escapando do drama e com uma simplicidade que não me fez chorar, mas me comoveu muito.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Agreste...


Reza o dicionário que Agreste é uma palavra que vem do latim agrēstis podendo ser utilizada como um adjetivo de dois gêneros e também um substantivo masculino. O adjetivo se refere aos campos; silvestre, selvagens ou o que contraria convenções citadinas; não cultivado, rústico, caracterizado pela aspereza, rigor, grosseria. Já o substantivo masculino se trata de uma zona fitogeográfica do Nordeste do Brasil, próxima ao litoral, entre a mata e a caatinga, de solo pedregoso e vegetação xerófila.

Nesses dias de Carnaval a Região fitogeográfica Agreste situada no estado de Pernambuco foi meu destino e pelo muito que amo essas terras de campos áridos, rústicos, ásperos e rigorosos sempre fico tentada a não deixar esses momentos passarem sem um registro.


Não é que eu não ame Recife, eu amo, mas além do litoral, longe da influência do mar tudo é tão diferente... Da forma como o sol esquenta nossas cabeças ao chão no qual pisamos, tudo é outro mundo. Um mundo mais solido no qual a areia da lugar a rocha e as pessoas parecer ser mais fortes e mais resilientes feitas de uma fibra mais difícil de ser romper, uma fibra agreste.


É difícil até escolher palavras para falar das pessoas do Agreste e do Sertão, pois vivendo no limite entre o muito pouco e o quase nada elas conseguem receber quem chega com uma generosidade difícil de acreditar.


Atualmente o interior do Nordeste enfrenta talvez a maior seca dos últimos cinquenta anos... É uma situação terrível, não só as plantações minguam como o gado seca ao sol. Ao longo das estradas não é raro encontrar carcaças de bois e bezerros secando a míngua. Qualquer que seja a crise que os habitantes da cidade passem nos últimos tempos me parece que lá é pior e mais difícil, mas incapaz de tirar a capacidade dessas pessoas de acolher quem chega com sorrisos, abraços e histórias.


Vez ou outra Claudineia me arrasta para visitar o povo dela e invariavelmente me emociona a forma como sou recebida, acolhida e respeitada. Nunca deixo de me impressionar como, mesmo envolvidas em um tecido de dramas, dificuldades e escassez, as pessoas não esquecem de serem gentis, acolhedoras e honestas em seus afetos.

Mais uma vez minhas andanças por esse mundo do Agreste beirando o Sertão foi repleta de aprendizados, abraços, sorrisos e bons momentos... Só agora mesmo, repassando as lembranças das nossas aventuras, analisando os momentos, não encontrando palavras adequadas para descrever as coisas e me perguntando o quanto esse post vai ficar sem um sentido claro, me bate vontade de chorar...


O Agreste, com sua natureza árida e pessoas fortes, consegue ser didático e lúdico ao mesmo tempo. São das coisas que abraçam enquanto ensinam sobre a importância de não cair e desmontar ou sobre como vez ou outras nós precisamos inventar truques para enganar a dor enquanto esperamos a próxima chuva no meio da maior seca de nossa história.