sábado, 8 de julho de 2017

"Branca de Neve" de Jacob e Wilhelm Grimm


Outro dia acordei com saudades da Branca de Neve. Pois é, até eu me surpreendi, mas aconteceu. Durante a infância minha tia me deu um daqueles livros "com os melhores contos de fadas" e entre esses contos existia, claro, o da menina branca como a neve, de cabelos negros como o ébano e lábios vermelhos como uma gota de sangue.

Apesar das histórias de princesas não serem minhas preferidas, elas não vivem muitas aventuras e terminam casadas, a ideia de uma menina fugindo da morte se embrenhando em um território desconhecido, encontrando uma casa segura dentro desse lugar perigoso e vivendo com amigos gentis tendo uma floresta como quintal tem certo encantamento.

Se o início e o fim da história é pouco promissor, há consolo em saber que entre a vida com uma madrasta cruel e um casamento com um completo desconhecido, existiu para Branca de Neve uma vida com amigos e uma floresta como quintal.


Então, cheia de nostalgia, peguei a versão adaptada por Laurence Bourguignon com ilustrações de Quentin Greban e li. Em linhas gerais é uma adaptação bem fiel ao texto original dos Grimms tendo como ponto alto do livro o trabalho do Greban. As ilustrações são belíssimas, tomam páginas inteiras, proporcionam um mergulho dentro da história e causam aquele encantamento tipico da leitura de livros infantis.


No mais, a história da Branca fala de como uma mulher invejosa trama o assassinato da filha de seu marido de várias formas: contratando um caçador, envenenando um cordão de fios de seda, um pente e até uma maçã.


Conta como uma jovem foge da inveja de sua madrasta com a ajuda da generosidade de pessoas que se arriscam para lhe poupar a vida ou lhes fornecem abrigo em troca da colaboração com serviços domésticos.


É sobre pessoas capazes de burlar a morte através de observação, persistência e sorte. Por três vezes a madrasta consegue envenenar a menina, nas duas primeiras ela usa fios de seda e um pente, ambos são tirados pelos anões do corpo da moça. A maçã é apenas o terceiro artifício e esse é vencido pela sorte, pois quando o Príncipe encontra Branca de Neve adormecida em um caixão de cristal se encanta com ela e decide leva-la ao seu castelo, no caminho alguém tropeça e a fruta envenenada, presa na garganta dela, é colocada para fora.


Também é uma história sobre castigos duros e recompensas duvidosas. De um lado a Rainha Má é punida com tortura, ela recebe um par sapatos de ferro em brasa para queimar os seus pés e fazer ela dançar até a morte, do outro Branca de Neve é recompensada com um casamento com um desconhecido cuja recomendação é pertencer a alguma família real e ter um título nobiliárquico abaixo do dela, sendo única herdeira do trono com a morte do seu pai ela será Rainha.

Em versões anteriores a dos irmãos Grimm a maldade e a inveja vem da mãe da menina e existem dezenas de versões contemporâneas nas quais todas as partes dessa história são reviradas pelo avesso e tudo é questionado, reavaliado e reescrito. Porém essas são outras histórias e tema para outros posts.


A edição de "Branca de Neve" de Jabob e Wilhelm Grimm adaptada por Laurence Bourguignon e ilustrada por Quentin Gréban faz parte do Programa Nacional da Biblioteca Escola de 2014, ele deve integrar o acervo das escolas e creches publicas de todo Brasil, eu peguei emprestado da creche na qual trabalho. A leitura dele é indicada para crianças entre 6 e 10 anos.

11 comentários:

  1. Oiiii, tudo bem?
    Suas resenhas sempre maravilhosas e que me fazem ver essas histórias de um jeito que eu nunca havia visto :)
    Eu tenho um grande preconceito com esses contos de fadas (a lá Disney), mas você tem um jeito de falar sobre as histórias, que me faz pensar sobre outras coisas além do óbvio que está ali. Sem falar que não é a versão disney, então isso já ajuda hahahah
    E as ilustrações desse livro estão mesmo lindas. Amei!
    beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  2. Oi Pandora!
    Eu amo contos de fadas! Não conhecia esse livro, que ilustrações lindas! Adorei.

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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  3. Olá, Pandora.
    Essa edição está muito bonita. Eu era muito fã dos contos de fadas quando era criança. Hoje vejo que fui enganada hehe. Mas a história da Branca era uma das menos gostava. Não tem como mudar isso, mas acho que as crianças não deveriam crescer acreditando em contos de fadas, só para crescer e ver que aquilo era uma furada.

    Prefácio

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  4. Oi, Pandora!
    Menina, acredita que eu nunca li a versão dos contos de fadas dos irmãos Grimm????
    Eu gostei dessa abordagem. Apesar de contar a história que é mais cruel que a que conhecemos, eles abordaram de forma infantil.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oi! Nunca li nada dos Grimm, porque já não sou fã das versões da Disney kkkkk princesas não foi algo que me encantou muito na vida. Bjos ❤

    Click Literário

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  6. Oi Pandora! Li Contos de Grimm faz muito tempo e tenho muita vontade de reler, prefiro mil vezes as versões deles do que as da Disney. Este livro aqui é lindo, nunca tinha visto uma versão da história com ilustrações tão lindas.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  7. Olá, tudo bem? Que demais essa obra, fiquei curiosa para ler e adorei sua resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  8. Nossa, que ilustrações lindas as desse exemplar! Branca de Neve nunca foi o meu conto de fadas favorito, mas até eu fiquei com vontade de dar uma espiadinha agora, hehe.

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    Romantic Girl

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  9. Você despertou em mim, além de lembranças, a vontade de ler Branca de Neve.
    Lembro-me do livro acompanhado de um pequeno LP que tocava na vitrola. Cada tensão, suspense vinha seguido pelo chiado característico da agulha!
    Depois, já maior, li uma versão bem mais longa que a anterior, porém sem ilustrações.
    Essa obra deve ser mesmo encantadora. E acho que por vezes, precisamos limpar nosso olhar para enxergar a beleza, porque se formos analisar todas as vertentes da maldade, do final feliz, perdemos o encantamento. Vontade de ler assim, transbordando inocência!
    Beijo.

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  10. Acho que nunca li Branca de Neve como contado pelos Grimm, mas tem lá a sua beleza uma estória ser recontada tantas vezes e ainda assim manter seu fio principal intocado. Branca de Neve é daquelas histórias que, quando ouvimos, temos a impressão de já termos nascidos com ela, de tão inerente a nós que elas são.

    Dois abraços!

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  11. Oi Pandora!
    Branca de Neve sempre estará presente em minha memória e não importa quem a tenha contado. É uma história que faz parte da nossa vida.
    Beijos mil!

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