segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Mitologia Nórdica do Neil Gaiman


Quando descobri que Neil Gaiman escreveu um livro sobre mitologia nórdica eu tinha todos os motivos do Multiverso para ler.

Por um lado, tenho um fraco por narrativas mitológicas. Gosto da forma como elas são resilientes, como mostram a força da oralidade para passar conhecimento, elas antecedem a ciência e sobrevivem a ela, mesmo não possuindo mais o status de verdade, ainda encantando e instigam. E claro, quando tudo em uma aula de história falhar, e muita coisa pode falhar em uma aula de história, uma narrativa mitológica pode salvar a lavoura.

Por outro sou apaixonada por Neil Gaiman. O britânico se construiu através dos anos como um narrador privilegiado, ele é capaz de passear por praticamente todos gêneros possíveis e imagináveis. Gaiman roteiriza quadrinhos/séries/filmes, ataca de poeta, escreve livros infantis, seus romances são inesquecíveis, seus contos são precisos em sua capacidade assustar, instigar ou encantar.


Em "Mitologia Nórdica" somos apresentados a um conjunto de mitos nos quais se conta desde a criação do mundo e todas as coisas até os dias finais desse mundo. Sendo Odin, o pai de todos, Thor, o senhor dos trovões e o mais forte fisicamente de todos; e Loki, a personificação da astúcia, os protagonistas. E ora vejam só, os nórdicos também tem uma trindade? Ou o destaque dado a esses três se deve ao fato dos mitos desse povo terem sido registrados no papel e assim preservados por padres?

Bem, podem me chamar de chata, mas sempre que vejo trindades masculinas tão arrumadinhas nas narrativas mitológicas ou um destaque demasiado para divindades do gênero masculino em detrimento das do gênero feminino me pergunto: "Quem trouxe essas narrativas para os idiomas modernos?". Geralmente a resposta é, tcharam: PADRES CATÓLICOS. Não vamos questionar a importância de Odin, Thor e Loki, mas pensemos na possibilidade de terem existido outras formas de narrar o surgimento e fim dos tempos colocando em evidencia deusas e não deuses e essas narrativas, para nosso desespero, foram descartadas.


A parte minha epifania, o livro é uma delícia de ser lido! Entre as várias peculiaridades do pensamento mitológico nórdico Gaiman privilegiou a figura de Yggdrasill, a árvore do mundo; o Poço do Mímir, no qual se pode obter conhecimento; a origem dos tesouros dos deuses, como o Martelo de Thor por exemplo; o Ragnarök, a batalha final e o fim de tudo; e sobretudo a crença na astúcia, trapaça e jogos de palavra como coisas capazes de superar tamanho e força.


Os deuses nórdicos, a exceção de Thor, são trapaceiros, astutos e egoístas ao extremo. Se eles protegem o Sol, a Lua, a Beleza e a Primavera é por necessitarem disso e não por se sentirem de alguma forma responsáveis por alguma coisa. São criaturas interessadas em sobreviver ao inverno e garantir sua segurança em um mundo cercado de neve e perigo cujo fim está próximo.

Foi instigante pensar sobre as peripécias de Odin, um deus para o qual está devidamente informado é a coisa mais importante do multiverso. Ele trocou um dos olhos por conhecimento, sacrificou a si mesmo na Árvore do Mundo por mais conhecimento ainda e conserva próximo a os Corvos Huginn e Muninn ("pensamento" e "memória"). A figura de um "Pai de Todos" tão avido pelo saber coloca em evidência o quão central era para aquele povo as virtudes da mente. Na mitologia nórdica a força bruta mal orientada não sobrevive ao inverno, a boca do lobo, aos perigos da noite, ao perigo que existe além da Muralha.


Senti falta de contos nos quais as deusas tenham maior protagonismo. Gostei da forma como Gaiman conseguiu deixar seu texto leve, acessível a crianças alfabetizadas, possível de ser lidos para crianças em processo de alfabetização e instigante para adultos. Foi maravilhoso ler sobre Yggdrasill, a Árvore na qual se sustenta os Nove Mundos (Asgard, Álfheim, Nídavellir, Midgard, Jötunheim, Vanaheim, Nifleim e Muspell). Adorei conhecer a história dos três perigosos filhos de Loki. Ainda estou pensando no Ragnarök.

Não posso dizer muita coisa sobre a tradução de Edmundo Barreiros, mas achei a edição da Intrínseca linda e por isso enchi o post com imagens dela. E, para quem curte romances históricos, a Mary Balogh, autora da série "Os Bedwyns", se inspirou nessa mitologia para compor seus personagens e as personalidades deles.


sábado, 8 de julho de 2017

"Branca de Neve" de Jacob e Wilhelm Grimm


Outro dia acordei com saudades da Branca de Neve. Pois é, até eu me surpreendi, mas aconteceu. Durante a infância minha tia me deu um daqueles livros "com os melhores contos de fadas" e entre esses contos existia, claro, o da menina branca como a neve, de cabelos negros como o ébano e lábios vermelhos como uma gota de sangue.

Apesar das histórias de princesas não serem minhas preferidas, elas não vivem muitas aventuras e terminam casadas, a ideia de uma menina fugindo da morte se embrenhando em um território desconhecido, encontrando uma casa segura dentro desse lugar perigoso e vivendo com amigos gentis tendo uma floresta como quintal tem certo encantamento.

Se o início e o fim da história é pouco promissor, há consolo em saber que entre a vida com uma madrasta cruel e um casamento com um completo desconhecido, existiu para Branca de Neve uma vida com amigos e uma floresta como quintal.


Então, cheia de nostalgia, peguei a versão adaptada por Laurence Bourguignon com ilustrações de Quentin Greban e li. Em linhas gerais é uma adaptação bem fiel ao texto original dos Grimms tendo como ponto alto do livro o trabalho do Greban. As ilustrações são belíssimas, tomam páginas inteiras, proporcionam um mergulho dentro da história e causam aquele encantamento tipico da leitura de livros infantis.


No mais, a história da Branca fala de como uma mulher invejosa trama o assassinato da filha de seu marido de várias formas: contratando um caçador, envenenando um cordão de fios de seda, um pente e até uma maçã.


Conta como uma jovem foge da inveja de sua madrasta com a ajuda da generosidade de pessoas que se arriscam para lhe poupar a vida ou lhes fornecem abrigo em troca da colaboração com serviços domésticos.


É sobre pessoas capazes de burlar a morte através de observação, persistência e sorte. Por três vezes a madrasta consegue envenenar a menina, nas duas primeiras ela usa fios de seda e um pente, ambos são tirados pelos anões do corpo da moça. A maçã é apenas o terceiro artifício e esse é vencido pela sorte, pois quando o Príncipe encontra Branca de Neve adormecida em um caixão de cristal se encanta com ela e decide leva-la ao seu castelo, no caminho alguém tropeça e a fruta envenenada, presa na garganta dela, é colocada para fora.


Também é uma história sobre castigos duros e recompensas duvidosas. De um lado a Rainha Má é punida com tortura, ela recebe um par sapatos de ferro em brasa para queimar os seus pés e fazer ela dançar até a morte, do outro Branca de Neve é recompensada com um casamento com um desconhecido cuja recomendação é pertencer a alguma família real e ter um título nobiliárquico abaixo do dela, sendo única herdeira do trono com a morte do seu pai ela será Rainha.

Em versões anteriores a dos irmãos Grimm a maldade e a inveja vem da mãe da menina e existem dezenas de versões contemporâneas nas quais todas as partes dessa história são reviradas pelo avesso e tudo é questionado, reavaliado e reescrito. Porém essas são outras histórias e tema para outros posts.


A edição de "Branca de Neve" de Jabob e Wilhelm Grimm adaptada por Laurence Bourguignon e ilustrada por Quentin Gréban faz parte do Programa Nacional da Biblioteca Escola de 2014, ele deve integrar o acervo das escolas e creches publicas de todo Brasil, eu peguei emprestado da creche na qual trabalho. A leitura dele é indicada para crianças entre 6 e 10 anos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Livro das 1001 Noites - Ramo Sírio


"As aventuras de Simbad, o Marujo" é uma das histórias mais importantes da minha vida, conheci esse conto durante a infância, li e reli várias vezes, mesmo agora ainda quero ser Sidbad. Quando descobri que ele pertencia as narrativas das "1001 Noites" quis ler tais narrativas e procurei por elas bibliotecas a dentro, mas só em meado de 2005 vi o professor Mamede Mustafa Jarouche tinha traduzido o "Livro das 1001 Noites" do árabe para o português e descobri em qual fonte buscar minha satisfação leitora.

Infelizmente, em 2005 eu tinha 16 anos e nenhuma renda. Só me restou esperar o grande dia no qual eu poderia ter esse bendito livro. E eu esperei, e o tempo passou, foram e vieram prioridades até que o belo dia no qual em meio a andanças virtuais, encontrei com o box da Biblioteca Azul e, com uma enorme dose de delírio, comprei o danado.

Meus sentimentos quando o livro chegou nas minhas mãos são como o que Clarice Lispector escreveu no conto "Felicidade Clandestina" sobre a sensação de finalmente conseguir ter o livro "Reinações de Narizinho".

Desde sua chegada as minhas mãos tenho lido o livro vagarosamente, me deixando ficar com ele no colo, elaborando rituais para prolongar o prazer, deixando ele pousado na estante como se eu nem soubesse da existência dele ali. Ler esse livro é uma experiencia de felicidade com poucos precedentes.


No "Livro das 1001 Noites" conta-se a história de um Rei que após ser traído por sua esposa se desilude com todas as mulheres e em um ato de vingança decide todos as noites casar com uma mulher e mata-la ao amanhecer. A matança se espalha pelo reino e o terror passa a varrer todas as casas até o momento no qual a filha do vizir, Sahrazad, "conhecedora das coisas, inteligente, sábia e cultivada", decide acabar com a matança usando um estratagema chamado de "contação de histórias".

Contando com o apoio da irmã mais nova ela começa a contar uma história capaz de cativar a atenção e a curiosidade do Rei até o ponto no qual o Sol nasce e a história fica incompleta. Para ouvir a continuação O Rei preserva a vida da narradora que vai continuar usando a estratégia noite após noite adiando sua morte dia após dia.

Com seu conhecimento e astucia, a jovem salva a si e também a outras, pois enquanto ela não é assassinada ninguém mais é. As histórias são usadas para afastar o terror da morte de todas as mulheres do reino, elas preservam a vida de todas e ao longo do tempo tratam curar o rancor do homem traído enquanto divertem e instigam sua alma a alçar novos voos.

Em um contexto assim, ler as fábulas de Sahrazad é simplesmente um deleite. A maior parte delas não tem propositalmente nenhum teor didático, moralizante ou um padronizado. O livro é um conjunto de todos os tipos de gêneros possíveis e imagináveis: romance policial, sátira, poesias e poemas, romance, aventura, fábulas, histórias picantes e até religiosas costuradas em labirintos e teias intricadas e instigantes de se acompanhar.

A box da Biblioteca Azul é um espetáculo para quem ama a leitura, a História e tem paixão por linguística. Nele nós encontramos o prefácio do professor Mustafa Jarouche no qual ele nos conta a história do "Livro das Mil e Uma Noites" cujo fragmento mais antigo data de 879 d. C. e é originário do Iraque. Nem sempre o conteúdo do livro correspondeu exatamente ao número de noites, só por volta do século XVIII escribas egípcios conseguiram chegar as 1001 adicionando, ao sabor de seu próprio gosto, várias histórias em circulação no mundo árabe.

Existem dois ramos do livro, o Ramo Sírio, no qual não se completa as 1001 noites e o Ramo Egípcio, esse sim com um titulo condizendo com o conteúdo. O box da Biblioteca Azul contém o Ramo Sírio, nos vol. 1 e 2; e Egípcio, nos vol. 3 e 4. Eu terminei de ler o vol. 1 do Ramo Sírio e a leitura foi uma viagem incrível pontuada com magia, malicia, encantamento e muita história com H maiúsculo pois dialogando com fantasia nesses livros estão registrados muitos dados sobre vários aspectos da cultura dos povos do mundo árabe.

As histórias da Sahrazad revelam um Mundo Árabe amplo; tecnologicamente desenvolvido, em comparação com a Europa da época; geograficamente e economicamente conectado com vários povos através de rotas comerciais, Bagdá, Cairo e até a China são destinos pelos quais os personagens circulam; com uma diversidade étnica e religiosa surpreendente, persas, cristãos, judeus e muçulmanos convivem e dialogam de diversas formas.

O Ramo Sírio do "Livro das 1001 Noites" é composto por manuscritos copiados entre o século XIV e XVIII nas terras árabe-asiáticas hoje conhecidas como Líbano, Síria e Palestina. Nele nos é dado a saber sobre um mundo feito de grandes cidades, transações comerciais, mulheres com inteligencia aguçada, homens cuja sorte se define por saberem fazer um doce de damasco inconfundível.

Sahrazad emerge do texto como uma narradora de conhecimento e sabedoria impar, incomoda muito o quanto a figura dela foi sensualizada ao longo do tempo. Surpreende muito como essa sensualidade NADA tem a ver com o texto contido no "Livro das 1001 Noites", em nenhum momento os aspectos físicos da personagem são descrito. A mais famosa contadora de histórias da especie humana é descrita da seguinte forma:
"Sahrazad, a mais velha, tinha lido livros de compilações, de sabedoria e de medicina; decorara poesias e consultara as crônicas históricas; conhecia tanto os dizeres de toda gente como as palavras dos sábios e dos reis. Conhecedora das coisas, inteligente, sábia e cultivada, tinha lido e aprendido." (pg. 49)
Outra coisa incomoda tem sido percebe o quanto a maior parte das histórias da 1001 noites popularizadas no ocidente são protagonizadas por homens, enquanto no livro é possível encontrar histórias protagonizadas por personagens de ambos os gêneros.

Aliás, voltando no tópico sensualidade, por incrível que pareça, apesar de para muita gente noites árabe evocarem sensualidade, as mulheres cujas histórias são contadas não estão presas em haréns ou derivativos.

As mulheres cujas histórias Sahrazad trás a tona são criaturas urbanas de diversas classes sociais e ocupações. Em suas narrativas existem princesas e plebeias; livres e servas; humanas e djins; solteiras, casadas e viúvas. Espalhadas casas, mercados e becos em cidades efervescentes, elas circulam, se ocupam, vendem, compram bens e serviços enquanto se movem para uma aventura ou tem uma aventura sendo movida em torno delas.

Nas histórias feitas para entreter a fúria do Rei, mulheres tramam e se prendem em tramas ao sabor da necessidade e situação, dificilmente usam recursos sensuais e, em posição oposta a de quem conta tudo, não possuem grilhões prendendo suas mãos e pés.

Com sua protagonista genial, no verdadeiro sentido da palavra, O livro das mil e uma noites segue ampliando seu espaço em meu coração, fixando raízes e me deixando mais e mais apaixonada por seu conteúdo. Facilmente ele entra na lista dos 10 melhores livros da vida. E, só para constar, quando eu terminar de ler o vol. 2 do Ramo Sírio volto a falar sobre ele.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

AohaRaido: A Primavera de nossas vidas


"AohaRaido" ou "Ao Haru Ride" é uma série de mangás em 13 volumes. Io Sakisaka é a autora e no Brasil quem publicou foi a Panini com o selo Planet Manga. Através dos 13 volumes acompanhamos a história de como a garota Futaba Yoshioka e o garoto Kou Mabuchi enfrentam os desafios e delicias de atravessar a adolescência lindando com traumas familiares, vida escolar, amor e amizade.

Em linhas gerais é um shoujo bem comum e sem muitas novidades. Há um grande destaque para o romance entre o Kou e a Futaba e as idas e vindas do casal. Os dois se conhecem na escola durante o finalzinho das suas infância e se separam quando o Kou muda de cidade. Quando eles voltam a conviver são pessoas diferentes com cargas emocionais diferentes, porém ainda nutrem sentimentos um pelo outro. A Futaba dialoga melhor com seu sentimento e abraça o amor que sente, o Kou é mais resistente e as vezes irritante. Não foram poucos os momentos nos quais eu detestei o Kou e torci para que a Futaba encontrasse outro amor.


Para melhor temperar a história, além do casal de protagonistas a Io Sakisaka montou um elenco de coadjuvantes bem legal. Yuuri Makita e Shuuko Murau, amigas de Futaba são personagens decididas e leais cuja amizade se torna uma fonte de apoio emocional tanto para o romance quanto para outros aspectos da vida da protagonista. Do lado de Kou, o Aya Kominato muitas vezes arrebatou minha simpatia mais que o protagonista.


Em linhas gerais, Io Sakisaka fala a aventura de ser jovem, de viver o primeiro amor e de está entre amigos. Publicado bimestralmente AohaRaido se tornou um companheiro durante dois anos e dois meses e pela constância em minha vida, de alguma forma, se tornou um amigo. Entre altos e baixos, enquanto eu oscilava entre torcer pelo Kou e ter vontade de matar ele, vivi momentos importantes e reviravoltas em minha história.

Acompanhei a história do Kou e da Futaba volume a volume, me vi periodicamente parando minha vida para acompanhar as idas e vindas desses dois e assim eles se tornaram uma coisa constante enquanto tantas outras se tornaram inconstantes. Afinal, várias coisas podem mudar na vida de uma pessoa em dois anos.

Eu, por exemplo,
  • Fui demitida de um emprego;
  • Adquirir um novo emprego;
  • Passei em concurso público para professora e finalmente fui convocada;
  • Aprendi o básico da natação;
  • Conquistei mais de uma dezena de parcerias em um blog literário de sucesso;
  • Sai desse blog literário no auge de seu sucesso;
  • Viajei para outro estado e voltei para casa esvaziada de algo importante;
  • Sai da faixa dos 20, entrei na dos 30 e tenho 31 anos agora;
  • Adquiri alguns livros com os quais sonhei por anos, inclusive o box do "Livro das Mil e Uma Noites" com a primeira tradução para o português feita diretamente do árabe;
  • Vi uma das relações afetivas mais intensas e intimas que construí ruir como um castelo de cartas;
  • Perdi um dos meus irmãos;
  • Ainda não aprendi a lidar com a perda, mas continuo vivendo.
Ler os 13 volumes foi uma pequena jornada maravilhosa. Completar essa coleção me deu uma sensação agridoce. Por um lado há a emoção de chegar ao fim e do dever cumprido por outro não há mais um volume a esperar e fica um vazio emocional. Talvez por isso, nesse momento, quando estou prestes a me lançar em uma nova aventura profissional, vim aqui escrever sobre ele. AohaRaido foi uma pequena ancora para meu barco, já sinto saudades.