terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sandman


Não foi "Sandman" o responsável por me fazer amar Gaiman, quem fez essa magica foi "Stardust", um dos livro mais relidos por mim na face da Terra. Porém, conta-se ter sido "Sandman" o responsável por fazer do inglês Neil Gaiman um autor mundialmente conhecido ao longo da década de 1990.

Em poucas linhas, pode-se dizer que "Sandman" é uma série de história em quadrinho com nada menos que 75 números publicados entre 1989 e 1996, todos roteirizados por Neil Gaiman contando com vários outros gênios para dar os contornos de desenhos, cores e letras.


Uma lenda urbana no mundo dos quadrinhos afirma ter sido essa obra um tipo de divisão de águas na produção do gênero HQ. Gaiman e seus parceiros mostraram ao mundo que HQs podiam da conta de contar muito mais que histórias de heróis e vilões quando decidiram contar a história do Rei do Sonhar, também conhecido como: Sonho, Morpheus, Sandman, Oneiros, (Lorde) Moldador, Kai’Ckul, Senhor do Sonho, Homem da Areia, Governante do Sonhar, Devaneio, Príncipe Encantado de Todas as Histórias.


Tenho sempre a impressão de perceber nessa, e em outras obras de Gaiman, toques de Freud, Shakespeare, Allan Poe, Grimms, Alcorão, "As mil e uma noites", Tora, todo tipo de mitologia possível e imaginária (mesopotâmica, hindu, egípcia, grega, romana), dezenas de clássicos de diversas literaturas, etc. Parece que no mundo criado por Gaiman cabe tudo, ela absolve tudo o que toca e transforma em histórias para afastar, abraçar, esquecer ou enfrentar a escurida e incerteza a repeito do porvir.

Em Sandman ele forja sua mitologia, ou uma mitologia bem pós-moderna, através dela ele tece uma explicação alternativa para a realidade. Nessa explicação existe as figuras antropomórficas de sete irmãos filhos de pais desconhecidos, são os "Sete Irmãos Perpétuos" responsáveis por e gerir os aspectos mais centrais da vida, tais como Desejo, Death, Delírio (que já foi Deleite), Destruição, Desespero, Destino e Devaneio (Sonho).


Tal como pressupõe o titulo da obra, toda a história é contada na perspectiva de Sandman. Em nosso primeiro encontro ele está preso, então acompanhamos como ele se liberta e recupera seus domínios e objetos de poder. Posteriormente vamos descobrir cenas do passado dele, de sua família, amigos, episódios de sua vida e o desfecho impactante e inesperado da história.



No ultimo dia 15 de outubro finalmente concluir a leitura dos meus volumes de Sandman e estou escrevendo sobre isso, pois tenho a impressão que Devaneio me acompanhou por mais de uma vida e compartilhei muito dele nesse blog em forma de citações e texto.

Termino essa leitura com uma mistura de luto, satisfação pessoal e vazio temperado com uma enorme necessidade de escrever que essa foi uma boa caminhada. O "Mestre Moldador" é um personagem capaz de desperta amor, compaixão, raiva, empatia e antipatia. Um protagonista cheio de mistério apoiado por um enorme circulo de ótimos coadjuvantes e um coadjuvante misterioso que rouba a cena na hora certa e depois a devolve a seu dono por direito.

Foi um prazer ler Sandman, conhecer essa face do mundo de Gaiman, vibrei, chorei, sorrir e me identifiquei. Não a toa a Death, irmã mais velha de Aneiros, substitui minha foto em todos os meus perfis e denúncia meu amor pela obra.

Obrigada Gaiman, obrigada Sandman, ainda nos veremos outras vezes em outros livros, em releitura desse e talvez em sonhos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

TAG: Os miseráveis

Ao longo de 2015, eu e o Alexandre decidimo ler juntos "Os miseráveis" do francês Victor Hugo. No agarramos a edição da Cosac Naify, ele pegou a edição física, eu me agarrei a digital e seguimos por essa aventura com direito a banner e tudo.

Ao longo do caminho algumas pessoas se juntaram a nós, mas diferenças de filosofias bloguisticas, ritmo de leitura e até mesmo empatia acabaram nos separando.

Outra coisa que aconteceu no meio do caminho foi a elaboração de uma tag baseada em alguns dos personagens do tomo 1 do livro. A ideia é que a gente procure na nossa estante afetiva sete livros que lembrem sete personagens do "Tomo I: Fantine".

Como ando mal das pernas bloguisticas, demorei uma vida para reunir força espiritual para responder essa tag, mas cá estarão as minhas respostas.


1. Bienvenu, Bispo de Digne: Um livro que te abraçou quando você mais precisava.



Há algum tempo eu fiz um post para o "Blog da Elaine Gaspareto" sobre esses livros com propriedades acolhedoras. Aqui, no entanto, só se pode citar 1, então citarei "O livro das coisas perdidas". O John Connolly tem uma escrita sutil, firme, realista mesmo quando trata de fantasia e da a sua história um desfecho absolutamente redondo e firme, do tipo que te abraça e empurra para frente.

2. Jen Valjean: Um livro que precisou de uma segunda chance.


Aqui não vou citar um livro, vou citar uma autora: Cecelia Ahern. Minha primeira experiencia com ela foi morosa, lenta e frustrante, esperava uma coisa e recebi outra, não tive empatia com a protagonista. Totalmente oposta a experiencia com "A lista", não esperava nada desse livro e ele me deu tão mais do que eu esperava que já solicitei ao Alexandre o próximo livro dela.


3. Madelaine: Um livro que parece uma coisa, mas é outra.


"O começo do adeus" é tudo o que a capa não diz dele. Quem protagoniza a história é um homem, o Aaron, que perdeu a esposa em um acidente tão repentino quanto esquisito e precisa lidar com o enorme vazio deixado por ela... Precisa encontrar formas de dar adeus a uma pessoa central na vida dele. Como tudo da Anne Tyler esse livro tem uma pegada forte na psicanalise, não é nada açucarado, fala de pessoas comuns como eu e você e é muito fácil se identificar com os personagens... Em nota, a esposa do Aaron era uma médica negra NADA HAVER com a mulher da capa.

4. Fantine: Um livro cujo o fim de te fez chorar.


"Marina" do Zafón, foi um dos melhores livros do ano até aqui. Depois de Neil Gaiman Zafon foi o autor que mais divinamente vi flertar com os clássicos da literatura ocidental. Ele consegue construir uma Barcelona capaz de encher Alan Poe de orgulho, executa a arte de tornar o absurdo plausível como Kafka e se apropria da ciência para fazer o horror acontecer como Mary Shelley. Aliás, ele homenageia esses autores em seu livro... E quando eu estava totalmente embebida nessa vibe, ele simplesmente me matou de tanto chorar! Livro perfeito, redondo... lindo!

5. Tholomyès: Um livro que foi abandonado.


Eu tentei, juro que tentei, mas não consegui avançar em "História das Assembleias de Deus no Brasil". Letra pequena, linguagem apologética, aquele português difícil... Um dia quem sabe... 

6. Cosette: Um livro infantil pelo qual você tem muito carinho.


Sou apaixonada por "Alice no país das maravilhas", o livro parece uma história de terror, mas a aventura da menina no mundo além da toca do coelho continua me encantando dia após dia, ano após ano da mesma forma que encantava quando há vinte (Deus passaram-se duas décadas) anos atrás.

7. Javet: Um livro cuja leitura foi sofrível.


Não que "Eu estava aqui.... e você?" seja um livro ruiiiiiiiiiiiiiim.... É que eu não me identifiquei mesmo com a protagonista. O Neir Ilelis foi professor de português e como tal conseguiu reproduzir muito bem, embora essa talvez não fosse sua intensão, o lado b da rotina de uma escola... Acho que isso bastou para que eu antipatizasse com sua protagonista e toda sua aventura tornando a leitura sofrível.

Quem quiser responder a tag, sinta-se convidado. Se e quando fizer, deixa o link aqui para que eu possa vê!