quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Leituras simultâneas...

Como sempre estou lendo dois ou mais livros ao mesmo tempo... Embricada entre vários mundos paralelos ao meu. Sim, eu já tentei ficar no meu presente vinte quatro horas por dia, sete dias por semana, todos os dias do mês... o ano inteiro com pretensões de seguir pela vida e então eu acordava, olhava em volta "e o mundo era a terra inteira,  mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido" e eu voltava a precisar dos meus chocolates literários.

Atualmente as leituras que mais chamam minha atenção são velhos moradores de minha estante: "O príncipe e o mendigo" do Mark Twain, "Eu, robô" do Isaac Asimov e "A tormenta das espadas" do George R. R. Martin... Os três juntos formam uma sopa em minha cabeça e me deixam anestesiada desse "sono íntimo do que cabe em mim".

O Mark Twain, autor do século XIX, tem me surpreendido muito em sua excursão pelo século XVI. Tenho a impressão que ao enveredar pelo passado ele conseguiu falar muito bem sobre seu presente. Muito interessante o retrato da pequena infância carente pintado por ele. A família do Tom, o mendigo que por uma série de coincidência vai usurpar por um tempo o lugar do Príncipe de Gales, é um retrato pouco romântico e bem realista de uma família pobre do século XIX, ele me lembra muito "A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra" de Friedrich Engels.

Outro autor cuja lembrança me vem a mente quando leio "O príncipe e o mendigo" é o Lord Dumas. De alguma forma acho a escrita de ambos parecida, cada capitulo tem uma história que fecha em si mesmo com um final antevendo reviravoltas prendendo o leitor. Por outro lado a visão que os autores possuem da realeza é completamente oposta. 


Twain ver príncipes e reis com certa generosidade exaltativa [essa palavra existe?], Dumas com uma ironia zombeteira. O príncipe de Twain é um menino culto, falante de vários idiomas, preparado para governar, sua corte é como um corpo do qual ele é a cabeça e sem ele nada funciona. O Rei de Dumas é um homem cujo comportamento lembra um menino mimado, caprichoso, infiel, um boneco de sua corte guiado pelo cardeal ou por outras pessoas. Eu adoro o humor zombeteiro de Dumas, eu amo o retrato do lado b de Londres criado pelo Twain.

Já o "Eu, Robô" do Asimov é um livro carregado de ternura. Uma leitura que flui como um rio. Cada página lida gera um encantamento diante da genialidade desse autor. Ele não é nada menos que MARAVILHOSO. Consegue ser brilhante, generoso e divertido. Estou curtindo muito essa leitura.

Talvez pela breve introdução esclarecedora do Jorge Luiz Calife, para mim tem sido impossível não pensar muito no monstro de Frankenstein. Eu sou totalmente fã do "Mostro" é um dos seres mais carentes de amor, desamparados e injustiçados por seu próprio pai já inventados dentro e fora da literatura. Acho o doutor Victor Frankenstein simplesmente asqueroso.

Apesar de achar a Mary Shelley incrível e sempre me impressionar em como já tão jovem ela era tão culta, brigo com ela em cada linha na qual ela exalta "as boas qualidades" do Dr. Frankestein e as vezes me pergunto se todas as virtudes dele não são boas ironias. A única coisa de boa no Victor Frankestein é sua cultura, seu conhecimento cientifico e criatividade impressionante.


Em síntese, os robôs de Asinov me provocam a mesma ternura que o "Mostro", eles amam a humanidade e querem se aproximar dela enfrentando sempre a dureza do preconceito, da incompreensão e do medo. As vezes tenho a impressão que Asimov tinha um sentimento semelhante ao meu em relação a criatura de Frankenstein e seus robôs queridos recebem o reflexo desse amor através das três leis da robótica. Pena que a humanidade não consegue confiar nas maquinas que ela mesma criou e condena suas criaturas a fins trágicos.

Por fim, sobre o terceiro livro de minha atual saga por outros mundos, o "A tormenta das espadas", volume 3 das "Crônicas do Gelo e Fogo" do sacana do George R. R. Martin, preciso dizer: através dele tenho me reconciliado com a Daenerys. Ela tem sido tão humana em suas decisões! Tão justa! Tem saído do lugar de menina de boa vontade para mulher de boas decisões e ações. Até aqui ela me incomodava em vários momentos, mas agora me pergunto se meu sentimento por ela não tinha um que de magoa pelo Drogo.

Além da Dani, continuo morrendo de amor pelo Tyrion, além de ser o único personagem intelectualizado capaz de se interessar francamente por mulheres comuns, demonstrou misericórdia pela Sansa Stark... E, além dele, o Jaime Lannister também anda ganhando espaço em meu coração... Nunca pensei que isso fosse possível, não tenho nenhum fraco por loiros de olhos azuis,  mas... o Jaime está mudando... está virando um homem de verdade.

7 comentários:

  1. Pandorinha linda, você acredita no Jamie? Mesmo? Você acha que ele vai regenerar? Será? O relacionamento dele com a irmã me deixou tão chocada que mal consigo olhar pra ele. Eu só vejo a série, comprei 3 livros, mas ainda não tive coragem de ler. Mal consigo ler um livro só e entender, e você lê 2 ao mesmo tempo? Inveja branca com bolinhas azuis!

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  2. Pandora,
    que trio vc está sendo inebriada. Sou louca para ler algo do Asimov. E suas leituras são de universos diferentes e envolventes mesmo. Eu também tenho essa mania de me envolver com dois ou três livros ao mesmo tempo. Bom demais
    Beijos
    Adriana

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  3. Já li os dois primeiros e foram leituras excelentes!

    Apesar de preferir Twain com as aventuras - tanto de Tom quanto de Huck - o "O Príncipe e o Mendigo" se mostrou uma boa pedida quando o li, na adolescência, e era incapaz de fazer com que a leitura terminasse por me proporcionar pensamentos tão mais sérios quanto os seus. Já Asimov e seus robôs me conquistou de primeira: as leis, seus personagens, a dúvida quanto sua presença em meio aos humanos, tudo isso fizeram com que, definitivamente, ficção científica fosse mais um dos meus muitos lugares seguros para ler.

    Martin segue na lista, um dia o leio...

    Post excelente, como sempre ;)

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  4. Estou louca pra ler Asimov, está na minha lista. Tormenta de Espadas é meu prefeirdo na série. Amei demais esse livro. E sempre fui fã da Daenerys rs. :) Também estou nessa de leituras simultâneas. Dizem que é muito bom para desenvolver a memória e o raciocínio. Não é à tôa que somos incríveis hahaha.

    Beijos.

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  5. Impressionante a sua capacidade para citar o Dumas kkk mas acho que preferiria a visão dele do rei que a do Twain. Eu tô meio agoniada com esse negócio de ver minha estante lotada de livros q não li, até pq todos são ótimos livros! Como eu queria ler got inteiro logo!

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  6. Eu sempre quis ler Mark Twain, pretendo fazê-lo logo. Aliás, sei que é ridículo, mas acho Mark Twain um nome tão bonito e forte que eu queria ler o autor também pelo glamour hahahahaha.

    Eu ainda preciso começar GoT, os 5 livros estão na minha estante ainda, intactos, coitados. Mas tenho acompanhado a série e a evolução de Daenerys e Jamie foram as minhas preferidas mesmo!

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  7. Pandora, Jaci, Jaci Pandora, Pandora Jaci, eu acho tão lindas as suas letras, seus relatos intensos e apaixonados pelos livros. Adoro ler o que você pensa das suas leituras, dos escritores, das estórias, os paralelos que você traça entre a ficção e a realidade. Ah, é um deleite para os meus olhos e mente. Adoro, de verdade.

    Sacudindo Palavras

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