sábado, 3 de agosto de 2013

Ler literatura brasileira.


Quando era adolescente eu frequentei durante um tempo uma Sala de Leitura na qual os livros não eram divididos por ordem alfabética e sim pela nacionalidade do autor e eu achava essa divisão o máximo, pois eu podia escolher em qual país me embricaria de acordo com meu humor e curiosidade e através desse exercício fui aprendendo pela experiencia que cada povo tem sua particularidade e partir de então podia decidir com quem eu queria dialogar.

Por motivos difíceis de explicar, lembro que quando acordava mais melancólica me embricava na estante dos livros franceses, quanto estava mais pratica corria para a literatura inglesa, quando queria algo mais século XX corria para os americanos e a curiosidade pela diferente me empurrou vez ou outra para lugares exóticos como a República Tcheca, a China, a Índia, um breve passeio pela Russia e etc... Mas, quando eu queria me encontrar na narrativa, quando eu queria buscar alto-conhecimento ou redescobrir minha própria história eu sempre procurei a literatura brasileira.

José de Alencar foi um dos melhores professores de história do Brasil que já tive, hoje vez ou outra discuto comigo mesma a história que ele contou e sua narrativa, mas parando e pensando ele foi meu primeiro professor de História do Brasil Império e Machado de Assis sem duvida foi o melhor, aliás, continua sendo. Lima Barreto me ensinou sobre os dias da República Velha, Raquel de Queiroz sobre a vida vivida no Sertão, Graciliano Ramos sobre o lado negro do Estado Novo de Getúlio Vargas... e a lista é grande... imensa...

Talvez pela largueza da lista misturada a uma estranha saudade de falar de literatura por aqui, resolvi que para esse mês de agosto meu plano secreto é contar aqui sobre alguns livros escritos por autores brasileiros que andei lendo. Alguns são clássicos, alguns foram escritos por autores independentes bem jovens ou nem tanto...E pretendo fazer sorteios afinal exercitar o desapego é sempre necessário!!!

Ah, e vocês companheiros e companheiras de virtualidade o que pensam e sentem a respeito da literatura brasileira? Sei que muitos foram apresentados a ela nas salas de aula, coisa que lamentavelmente, ou não, não aconteceu comigo! Se estiverem com vontade compartilhem suas experiencias, ouvir sempre é bom!



15 comentários:

  1. Eu leio muito os autores nacionais e também portugueses. Acho que a minha proporção é quase 1x1 com os estrangeiros. Busco ler clássicos que ainda não li, escritores mais recentes e ainda em atividade, e mais jovens. Estou relendo Grande Sertão: Veredas e já li vários nacionais esse ano.

    Bom, eu sou escritor, então busco também aprender mais o nosso idioma e inspiração nos colegas de carreira...

    :D

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  2. Bom dia, Pandora!
    Estou copiando e colando esta imagem... divina.
    Sabe, neste ano conheci e me apaixonei por Alina Pain.
    Com ela, pude relembrar as mulheres de esquerda, lutadoras e pouco reconhecidas (como o caso de Dona Dilma).
    Sempre gostei muito de Pagu (Patrícia Galvão), minha conterrânea, e Alina tem complementado este quadro político...

    Estou aguardando as novidades.

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  3. A Literatura Brasileira, especialmente a clássica, é vista com maus olhos pela maioria das pessoas que tiveram o primeiro contato com ela de modo não natural, ou seja, na escola, em que se tinha que ler x livro, pra tecer comentários, com o intuito de obtenção de alguma nota. Como a literatura brasileira clássica tem uma linguagem um tanto rebuscada, essa maioria que citei anteriormente não tinha paciência pra tentar entender, tentar mergulhar naquelas frases de sentido denso e muitas vezes obscuro. Daí dá-se, então, esse desgosto de uns pela literatura brasileira.
    Eu não fui obrigada a ler nenhum livro na escola pra fazer nenhum trabalho. Acho o fim da picada ser obrigada a ler. O exercício de ler deve ser estimulado, mas nunca feito por meio de obrigações.
    Não sei bem como me encantei por Clarice Lispector e Machado de Assis, mas sei que, ambos, me conquistaram enormemente pela sagacidade e pela maneira fácil que parecem ler os corações e as mentes alheias. Leio Clarice e vejo o meu próprio ser ali nas linhas, nas entrelinhas, em cada pingo de "i". Leio Machado e fico pensando como ele foi sensacional e sempre será, porque se tornou imortal através de suas palavras, como sabia explorar a alma humana, fazer críticas inteligentes e de suma importância sobre a sociedade e costumes das épocas em que viveu.
    Preciso ler Graciliano, meu conterrâneo. Até já comprei um livro vira-vira (dois em um) e lerei em breve. Dizem que Graciliano escreve de forma "seca", sem muitos frufrus, sem rodeios. Direto e reto na ferida, pode-se dizer assim. Acho que vou gostar.
    Há uma porrada de escritores brasileiros que eu preciso conhecer, especialmente os clássicos. Que me perdoem os autores nacionais atuais, eu ainda prefiro me aventurar lendo os clássicos, porque muito da literatura atual se encaixa mais em fantasia, em romance água com açúcar, que têm por modelos autores estrangeiros, norte-americanos principalmente.
    Ah, uma que eu gosto muito e que não se encaixa nos clássicos é a Martha Medeiros. Ela escreve de modo fácil, simples, direto e bonito. Adoro suas poesias e suas crônicas. A gaúcha manda muito bem nesse negócio de escrever.

    Acompanharei seu mês especial, Pandora. E espero que o sorteio seja de um livro bem bacana e, de quebra, eu o ganhe (risos).

    Beijo!

    Sacudindo Palavras

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  4. Eu tenho uma boa relação com os autores brasileiros, mas isto é bem recente. apesar de não os ler tanto quanto gostaria, o cenário já foi pior. Me obrigaram a ler, na escola, Machado de Assis aos treze anos. Não deu, e, pior, meio que me traumatizou, e corri pra me isolar dentre os estrangeiros. Foi só muito tempo depois que tive muita sorte em ter em meu caminho, e quase em sequência, gente como "José Lins do Rego", cujo "Fogo Morto" é uma obra-prima admirável, o livro nacional do qual mais gosto, "JOsé Candido de Carvalho" e "Fernando Sabino". Depois disso fiquei mais receptivo aos nacionais, e tive excelentes experiências com eles.

    Agora meu desejo é ler mais. Quero começar ainda esse ano, e com certeza vou acompanhar s postagens por aqui ;)

    Dois abraços.

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  5. Oba, vamos falar de literatura brasileira! Não tenha duvidas que estarei por aqui.
    bjs
    Jussara

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  6. Eu admiro a tua relação com a literatura brasileira. É lindo!
    Eu fui apresentada sim na escola, mas acredito que de péssima maneira - uma literatura chata, de difícil compreensão para fazer a prova de um professor igualmente chato.
    Estou ainda resgatando Machado de Assis e quero que saiba que você me traz um incentivo!
    Beijo

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  7. Pandora:
    1º em resposta ao seu comentário lá no meu blog, sobre a minha participação no projeto do Chris, só posso lhe dizer que você é normal, rsrsrsrssr.
    A gente consegue ver o exterior com enorme facilidade.
    Mas quando se trata de entrar em contato com nosso interior, aí a coisa fica bem complexa.
    Agora sobre a literatura brasileira, eu sempre gostei.
    Machado de Assis e sua eterna Capitu, com certeza é um dos meus livros favoritos.
    José de Alencar, eu detesto.
    Na minha época de adolescente, li praticamente todos os autores nacionais mais conhecidos, por causa do vestiba.
    Dentre minhas preferência, estão: Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha), Bernardo Guimarães (Escrava Isaura), Aluísio de Azevedo (O Cortiço), Raul Pompéia (O Ateneu), Jorge Amado (Capitães de Areia), Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala) e por aí vai.
    Bjs.:
    Sil
    http://meusdevaneiosescritos.blogspot.com.br/

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  8. Oi Pandora meu irmão esta lendo um livro do dom casmurro,não sei porque mas fiquei com vontade,e li a primeira pagina e não consegui mais parar.Eu ainda não terminei mas estou curiosa para saber se o Bentinho vai ficar com a Capitu.Um beijo da julia

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  9. Interessante esta sua colocação e hoje percebo que assim também aconteceu comigo - minhas primeiras referências históricas vieram dos livros que li adolescente.Minha mãe sempre dizia: ela está lendo, não adianta perguntar qualquer coisa ou tentar conversar porque ela não escuta nada. Eu tive uma professora de português que incentivava muito a leitura, nos fazia ler poesias em sala de aula e na minha casa era grande a coleção de livros disponíveis. Assim, eu via como uma coisa natural gostar de ler.

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  10. Na terça eu passei a limpo a lista dos livros que eu li na vida e descobri que já tinha lido muitos livros clássicos da nossa literatura. Foi um susto até kkkkk. Não curti a maioria dos que li, principalmente os de Bernardo Guimarães. Engraçado, não me sinto identificada com os autores nacionais... até gostei de um e outro mas se quero "olhar pra dentro" eu leio um livro de aventura kkkk bem pouco lírico não?

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  11. Adorei esse post, foi muito importante pra mim. Eu nunca gostei de ler clássicos, mas to pegando um gosto maior por isso agora. Sou apaixonada por Dom Casmurro.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  12. Adorei a sua iniciativa de falar de literatura!! Estou à espera do novo post!!
    Bjus e boa semana!

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  13. Acho que a forma como a literatura brasileira é apresentada aos adolescentes, é muito equivocada. Ler por obrigação, muitas vezes, causa repulsa. Felizmente isso não aconteceu comigo. Mesmo lendo por obrigação, eu curti muito os livros que li na escola.
    Adorei essa sua ideia, Jaci. Vou esperar ansiosa pelos posts.

    Beijos.

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  14. Eu admiro muitos autores nacionais, mas eu não sou tão motivada pela nacionalidade, apenas em casos mais específicos. Meus autores nacionais preferidos são Machado de Assis, claro, Luís Fernando Veríssimo e adoro a poesia de Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos. Gostaria de ter lido mais clássicos brasileiros, mas o que me incomoda é que parece haver apenas uma interpretação para cada livro: aquela que aprendemos na escola. Sinto falta de poder interpretar um livro do meu jeito, com minha visão, e aprender com isso. Este é o motivo que para eu evitar fazer resenhas de clássicos brasileiros.

    Acho que o autor brasileiro contemporâneo, principalmente o independente, ainda tem que comer muito arroz e feijão. Existem alguns talentos por aí, claro, mas tem muita gente deslumbrada e fora de órbita por aí, o que me faz perder um pouco a paciência e optar por outros livros.

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Esse blog não representa um exercício de escrita, ele é um exercício de memória, de lembranças e esquecimentos. Funciona como uma caixa onde guardo coisas, sinta-se livre para comentar, mas saiba: comentários sem relação com o post serão excluídos por respeito a quem comenta de verdade.