segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um momento com Clara Trueba diante do Feminismo...

Clara Trueba é o nome de uma das personagens de um dos livros mais especiais que já li na vida: "A casa dos espíritos" escrito pela brilhante Isabel Allende.

Quem me apresentou esse livro foi a Jussara através de uma resenha linda lá no Palavras Vagabundas. Depois de ler o texto da Jussara não demorou muito para que eu corresse para uma das mais marcantes experiências literárias por mim vivenciadas até o momento.

O livro da Allende é para ri, chorar, se emocionar e refletir bastante não só sobre  vida familiar e História com H maiúsculo. Até hoje eu não sei se Allende escreveu um capitulo da história do Chile usando como pano de fundo a saga da família Trueba ou se ela escreveu a saga das família Trueba usando como pano de fundo aquele capitulo da história do Chile.

Depois de tudo só me restou duas certezas: Isabel é uma contadora de histórias fantástica e suas palavras e personagens caminharão comigo até o fim dos meus dias.As personagens de Allende são daquele tipo que vem a memória quando eu menos espero e falam comigo, implicam ou me ajudam a constatar o obvio em algumas situações particulares. Loucura néh?!?! Pois é!

Por esses dias tive um desses momentos com a Clara Trueba e achei que merecia um registro.

De uns tempos para cá me tornei mais simpática do que nunca as demandas levantadas pelas feministas (da net, da rua, da faculdade e do mundo) e olhando imagens postadas nos corredores das redes sociais, conversando pelos corredores da faculdade, pelos ônibus e derivativos a Clara me veio a memória.

Ela também teve muitos encontros com as feministas do mundo e possibilidades de avaliar suas demandas, sua mãe foi uma rica senhora que apesar de ocupar uma confortável posição social, ou justamente por ocupar uma confortável posição social, era sufragista - feminista- no Chile e a levava desde pequena para suas ações nas fabricas e cortiços da cidade. Foi a impressão de Clara a respeito desses momentos que me veio a mente e eu não consigo resistir ao impulso de registrar aqui a passagem do livro tal e qual foi escrita:

"As vezes Clara acompanhava sua mãe e duas ou três de suas amigas sufragistas em visitas a fabricas, onde subiam em caixotes para arengar às operárias, enquanto, a distância prudente, os capatazes e patrões observavam, zombeteiros e agressivos. Apesar de sua pouca idade e completa ignorância das coisas do mundo, Clara percebia o absurdo da situação e descrevia em seus cadernos o contraste entre sua mãe e suas amigas, com casacos de pele e botas de camurça, falando de opressão, igualdade e direitos a um grupo triste e resignado de trabalhadoras, com toscos aventais de algodão cru e as mãos vermelhas de frieira. Da fabrica, as sufragistas se dirigiam a confeitaria da Praça das Armas para tomar chá com bolinhos e comentar os progressos da campanha, sem que essa distração frívola as afastasse nem um segundo de seus inflamados ideais.  Outras vezes sua mãe levava-a às comunidades marginais e aos cortiços, aonde chegavam com o coche carregado de alimentos e roupa que Nívea e as amigas costuravam para os pobres. Também nessas ocasiões, a menina escrevia com assombrosa intuição que as obras de caridade não eram capazes de mitigar essa monumental injustiça."
(Isabel Allende_ A casa dos espíritos_91-92)

Depois de rever essa reflexão da Clara me ocorreu que realmente a história é feita de rupturas e continuidades. As feministas cuja ação venho observando ainda são mulheres muito semelhantes as observadas por essa garota silenciosa de intuição assombrosa que saiu de algum lugar das memórias de Isabel Allende para a minha...

Link  para a resenha da Jussara: "Clara, Branca e Alba": A casa dos Espíritos de Isabel Allende

9 comentários:

  1. Oi Bella!

    Agora quem ficou com vontade de ler o livro foi euzinha, já assisti o filme, mas nunca é a mesma coisa!

    Tenha uma semana iluminada!

    Bjooooooooo

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  2. Até fiquei com vontade de ler esse livro. Eu não acho que o Feminismo seja inútil. A luta do movimento foi muito importante, e nós somos herdeiras das conquistas daquelas feministas dos anos 60/70, só acho que precisamos rever algumas questões e evitar o radicalismo.

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  3. Obrigada pela lembrança! Eu continuo achando A Casa dos Espiritos uma das mais extraordinária experiência literarias que eu tive. E sim eu também continuo conversando com elas, risos
    beijão
    Jussara

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  4. A Casa dos Espíritos foi mais uma indicação certeira de uma gentil bibliotecária da escola onde estudava. Eu era jovem naquela época - rs - mas apesar disso gostei muito, e logo depois, também por indicação dela, parti para "Jane Eyre".

    Bom, eu observo as feministas com um ar masculino. Mas sou simpático, ao menos que uma delas seja a moça do Femen.

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  5. olá, sempre venho ler seu blog, mas não dá tempo de deixar recadinho. Hoje felizmente consegui. Seu cantinho é muito bom de visitar.
    Qjo

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  6. Já fui fisgada pela Clara/por vc, Pan, com esta analogia instigante.Vou incluir este livro em minha pilha.Claro é que cada um faz uma leitura particular e intransferível do que lê, mas através de recomendações intensas que se despertam os interesses sobre a leitura que circula em seus muitos vieses e diálogos.
    Valeu, menina.
    Bjos,
    Calu

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  7. Este livro é muito bom, a obra desta escritora é fascinante. Todos os livros que li dela foram maravilhosos.

    Bjos!

    Cida

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  8. Este livro também me marcou muito e já o li várias vezes. A relação da história da família com a história do Chile é muito envolvente, mas eu não gostei do filme. Agora que estamos falando sobre isto acho que devo rever este filme para verificar se o "não gostei" foi puro preconceito de quem amou o livro.

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  9. Já estou com esse livro na lista tem tempo. Depois de ler quye foi uma das mais marcantes experiências literárias não tenho mais que esperar.

    Beijos
    Saleta de Leitura

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