sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ivanhoé!

A Wikipédia tem uma definição interessante para o Ivanhoé, ela diz que: 

"Ivanhoé é um romance do escritor britânico Walter Scott, publicado em 1819. Narra a luta entre saxões e normandos e as intrigas de João sem Terra para destronar Ricardo Coração de Leão.  Primeiro romance de enredo histórico. O livro, que conta a história de  um cavaleiro da época em que João Sem-Terra havia usurpado o trono do  irmão Ricardo Coração de Leão, deu origem a um seriado de televisão, filmado em 1958 e 1959, e exibido no Brasil na década de 1960, cujo personagem principal era interpretado por Roger Moore" 

Roger Moore como Ivanhoé!
Bem, eu não tenho uma definição melhor, mas Ivanhoé é um pouco mais que isso, reza a lenda que Walter Scott foi o criador do romance histórico, esse gênero que nos encanta até hoje... Inclusive nosso igualmente clássico José de Alencar me lembra muito os escritos de Scott, e Ivanhoé é um clássico que merecia bem mais que um paragrafo na Wikipédia!

Miniaturas do Instituto Ricardo Brennand.
É um trabalho lindo, a partir dele a moderna identidade inglesa começava a ser construída discursivamente, ele narra em suas linhas mais do que as venturas e desventuras do caveleiro deserdado e sim as venturas e desventuras dos que romanticamente falando formariam o povo inglês.

Do acervo do Instituto Ricardo Brennand
Carregada de romantismo, dos ideais da época em que foi escrita e antes de falar da Idade Média dos homens e mulheres dessa época eu acho que Ivanhoé fala do século XIX e de como a Idade Média era vista nessa época. Ajuda a entender porque esse povo se sentia o último biscoito do pacote, os donos de todos os dons morais e intelectuais, prontos a levar civilização e ordem para os quatro cantos do mundo, se já eram capazes de tão grande nobreza durante os idos tempos medievais o que se diria de suas capacidade durante o glorioso século XIX?

Mas quando eu li Ivanhoé aos nove anos em uma versão adaptada cheias de ilustrações do tipo tapeçaria medieval eu nem sonhava com essas ideias e ele era meu livro favorito e eu adorava todos os personagens, o Cavaleiro Deserdado, tão nobre, o Cavaleiro Negro, Ricardo Coração de Leão, Robin dos Bosques e até aquele cavaleiro templario Brian Gilbert.

Eu imaginava a Idade Média a luz de Ivanhoé, um tempo que se lutava em nome de Deus, da  Honra e do Rei, era meu mundo ideal, o mundo dos sonhos dos meus sonhos infantis com homens e mulheres nobres vencendo o mal, ganhando as batalhas no último momento... Um mundo onde o fraco justo vence o forte injusto, onde a pelica vence o aço.

Várias armaduras do instituto Brennand!
Meu personagem favorito era a júdia Rebeca, ela era apaixonada por Ivanhoé que por sua vez morria de amores por uma loira aguada, a Lady Rowena, mas nem por isso Rebeca deixava de auxiliar Ivanhoé. Uma mulher a frente de seu tempo, nobre, justa, inteligente, destemida, reflexiva e termina solteira, voltando para Jerusalém para trabalhar como enfermeira dos cruzados feridos... Mil vezes aff... Mas, nem por isso Rebeca deixa de ser "A MELHOR!".

A judia Rebeca, minha heroína de infância.
Ah, outro personagem pelo qual eu nutria um amor meio que recalcado era Brian de Bois Guilbert, inimigo mortal de Ivanhoé, eu não achava ele muito nobre, justo, ou coisas do gênero, mas eu gostava dele porque ele reconheceu o valor de Rebeca, era apaixonado por ela, mesmo sendo um Cavaleiro Templario... Algumas vezes ele pisa na bola geral, mas ainda assim tem um chame e tanto \o/.

Brian de Bois Guilbert, com cara de garoto mau.
Foi doloroso quando meu professor de história chato, ranzinza e marxista esclareceu a todos nós que durante a Idade Média os nobres cavaleiros de nobres não tinham nada, que eles não tomavam banho, exploravam os camponeses e viviam uma vida de fartura e opulência enquanto os camponeses sofriam a amargura do frio, da penúria e da fome, morrendo de velhice antes dos 30, morando em taperas, vivendo oprimidos e que mesmo as mulheres nobres não passavam bons bocados não... Vigiadas, normalizadas, punidas, Rebecas não teriam sobrevivido ao fogo ou ao claustros. Ele acabou com minha Idade Média em três tempos e tchau para meu castelo medieval onde Brian de Bois Guilbert se redimiam e viviam felizes para sempre com Rebecas que deixavam de ser otárias.
Clio é a musa da história.
Eu lembro bem dessa aula que provalmente meu professor esqueceu na multidão de aulas que ele já deu. Nessa época fiquei com a impressão de que a História é uma dama muito cruel e que não existe compaixão no coração dela, rsrsrs... Hoje já sei que a História não é uma dama cruel, é apenas melancolica e cansada., afinal se detem na tentativa de compreender um mundo que nunca foi um lugar fácil de se viver, não existe Idade de Ouro e Gloria para a História.

Sir Walter Scott, Monumento, Edinburgh.
Mas, afinal o que é a Glória para que eu a deseje néh? Como já questionava  a minha sempre querida Rebeca de seu longínquo lugar em uma Idade Média sonhada, ou mesmo da pena de um autor sonhador do século XIX: 

"- Glória?... É ela a ferrugenta armadura pendendo sobre o esquecido e triste túmulo do guerreiro? A inscrição apagada que o monge mal sabe traduzir para o peregrino que o interroga? Serão estes os prêmios, correspondentes ao sacrifício de todas as afeições, para se viver uma vida de sofrimento, fazendo os demais sofrerem? Ou será que há tanto mérito nas toscas limas dos bardos errantes, para se porem de parte amores, afeições, paz e felicidade, para nelas se ser mencionado por menestréis vagabundos, cantando-as em tavernas para os bêbados?"
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P.S.: As imagens do acervo do Instituto Ricardo Brennand que ilustram a postagem cada uma delas sozinha daria uma postagem e muito mais, estão aqui pq ilustram muito bem a idéia de Idade Média que eu tinha durante a adolescência, foram todas tiradas por mim durante as visitas que fiz ao Instituto.

15 comentários:

  1. Obrigada pela visita. Gostei muito.

    Beijinho

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  2. Ouve lá: não podes repartir os teus posts? lol

    Isto dava um tratado...

    Tanta coisa boa que até assusta comentar...

    A Idade Média é fantástica: tem de tudo: o melhor da humanidade e o pior. Tem a miséria realista e real e a grandiosidade das catedrais.

    É um período a que chamo de D.Quixote e Sancho Pança...lol Gosto de extremos...

    E manda o teu prof. marxista passear: falta de higiene aínda há hoje:) E tirando a Idade Clássica, até ao século XX a higiene era palavra que se conhecida não era praticada...

    O cheiro faz parte da História e acompanha-a...

    Por isso se inventou o perfeume...lol

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  3. Maravilhoso post.
    Parabéns! Encantou-me.

    Bjs no coração!

    Nilce

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  4. Oi,Pandora!Realmente a gente tem uma ideia muito romÂntica da história, as coisas erma bem mais duras, bem mais obscuras.Mas sem uma pitada de romance a vida perde a graça...
    Um ótimo findi!
    Beijosss

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  5. Que postagem interessante amiga e efectivamente o Brian Gilbert tem uma cara mazinha apesar de "bonitinho" kkkkk vim te desejar um final de semana supimpa :-) Beijos!

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  6. Gostei da postagem. Vou procurar me informar mais :D

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  7. Querida, depois volto com mais calma aqui, mas estou passando para avisar que tem um selinho lá no blog para você!
    Beijo
    Adri

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  8. Oi minha maravilhosa amiga!!Sabe eu conehço esta história é fantástica demais amiga minha...Querida quanta alegria vir aqui e te sentir tão bem, cheia de post bons, isso vem lá do seu coração, tanta alegria e vibração boa...Deu um tempinho e corri aqui deixar meu beijos e meu abraçãooooooooooo enorme de Urso, aqueles ursão bem grandão sabe, bejos.
    com carinho
    Hana

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  9. Olá PANDORA, Obrigado por me seguir.
    vai ser um prazer está acompanhando o seu blog,
    muito bom por sinal, bons textos e um designer elegante.
    vale realmente conferir, fico feliz por me seguir.
    vou colocar em meu blog, um direcionamento do seu
    link para que através de suas atualizações eu esteja te
    acompanhado.
    luz na sua vida e que a troca de experiências seja ótima
    para ambos.

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  10. Muito inspirado seu post, Pandora. Nota 10! E falando em nota, concordo com seu professor. E seu jeito apaixonante, sonhador, é até comum, faz parte, pois na juventude enxergamos um mundo q não existe, q parece ser bonito, mas é feio.

    Como sou muito antigo, vi a série na TV, estrelada por Roger Moore. No entanto, não me recordo de nada.

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  11. A Srº Verden como tenho saudades dos meus sonhos adolescentes... Enfim, a vida realmente é muito dura, mas hoje sei que até a dureza e a feiura são melhores que uma ilusão, por mais bela que ela seja!!!

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  12. Amiga, é ruim o desencantamento, é mais trágico ainda, ter que perceber que não existe o romântico na história e consequentemente na vida.
    O bom nisso tudo é que acordamos para o real e o real nos coloca como atuantes na história.
    È amiga, obrigada por nos apresentar o real de uma forma tão lírica.

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  13. O seu professor marxista tinha toda a razão, na idade média so seria apetecivel pertencer à elite e mesmo assim vamos lá, a morte espreitava a cada canto, por exemplo, no século XIV mesmo nas cidades europeias a esperança de vida rondava os 28 anos.
    Bem mas de qualquer maneira o post está bastante interessante e ah, o Roger Moore era lindo de morrer e aí sim valia a pena morrer, sobretudo «la petit mort».

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  14. Rita, eu jamais duvidei da razão dele, meu professor é até hoje um fofo desencantado, o Roger Moore realmente era lindo de morrer \o/.

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  15. Assisti ao filme em criança. Nem sei se tem re-filmagem. Não lembro de nada. Só fui 2 vezes no Instituto Ricardo Brennand. Indesculpável, eu sei.

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